Grávida pela 12ª vez, mulher de 39 anos consegue na Justiça direito à laqueadura no Acre: ‘era meu sonho’

“Quase morro de chorar sozinha dentro de casa quando soube. Não estava mais nem acreditando”. Foi assim que a dona de casa Francisca Rodrigues, de 39 anos, grávida pela 12ª

“Quase morro de chorar sozinha dentro de casa quando soube. Não estava mais nem acreditando”. Foi assim que a dona de casa Francisca Rodrigues, de 39 anos, grávida pela 12ª vez, recebeu a notícia de que conseguiu na Justiça o direito à laqueadura. Esse será o 11º filho de Francisca, que já sofreu um aborto espontâneo no passado.

Ela está no nono mês da gestação. Segundo a mãe, o médico disse que o bebê deve nascer até o próximo dia 14. Francisca mora no Residencial Rosalinda, em Rio Branco, capital do Acre. “Era meu sonho. Quero ‘fechar’ a fábrica. Fui atrás disso, fui criticada, mas, em nome de Jesus, deu certo”, celebrou.

A Defensoria Pública do Acre (DPE-AC), por meio do Subnúcleo de Direitos Humanos 1 (SDH1), obteve uma tutela provisória de urgência no Juizado Especial da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AC) autorizando o procedimento concomitantemente ao parto.

Francisca procurou ajuda na DPE-AC após ter o pedido para fazer o procedimento negado por não ter feito nenhuma cesariana. Os dez filhos da dona de casa, de 25, 23,15,14,12,11,9,7,5 e 2 anos nasceram de partos normais. Ela agora espera uma menina.

Ao g1, Francisca falou que decidiu também procurar a Defensoria após conhecer a história de Regina Amélia Cruz, de 35 anos, que entrou na Justiça no início do ano para fazer uma laqueadura. Na época, Regina estava grávida do 4º filho. A laqueadura foi feita após o nascimento da filha, no mês de março.

“Dei entrada pelo posto quando minha menina de 5 anos nasceu. Fiz o procedimento e não fui mais atrás. Agora [nessa gestação] fui de novo, tentei falar com o médico, falavam que ia ter que esperar. Faço pré-natal de risco na maternidade e o médico falou que não estavam fazendo agora, a prioridade são as mulheres que têm cesariana”, relembrou.

Francisca afirmou que tentou usar alguns métodos contraceptivos, como anticoncepcional injetável e pílulas, mas ficava muito inchada e a pressão arterial aumentava. “Aconselharam usar o DIU [Dispositivo Intrauterino], mas não consigo ficar com aquilo, tenho certeza. Sou hipertensa, passo mal”, destacou.

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