Policial civil do AC preso com 57 kg de drogas segue preso em RO e processo administrativo é aberto

A portaria, assinada pelo delegado-geral de Polícia Civil, José Henrique Maciel, foi publicada na edição dessa sexta-feira (27) do Diário Oficial do Estado (DOE). O prazo para instrução é de

A portaria, assinada pelo delegado-geral de Polícia Civil, José Henrique Maciel, foi publicada na edição dessa sexta-feira (27) do Diário Oficial do Estado (DOE). O prazo para instrução é de 60 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período.

O documento cita que a Lei Orgânica da Polícia Civil e o Estatuto dos Policiais Civil do Acre estabelece que o crime de “traficar substância que determine dependência física ou psíquica” configura transgressão disciplinar de quarto grupo, podendo o servidor público, inclusive, receber pena de demissão.

Por isso, o delegado-geral decidiu por determinar a abertura de processo administrativo disciplinar em desfavor do servidor pela suposta prática do crime de tráfico de drogas. Na mesma publicação, Maciel nomeou a comissão disciplinar que vai ficar à frente da apuração.

No mesmo dia da prisão em flagrante do policial, a Corregedoria da Polícia Civil já havia informado que iria instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta do policial civil.

Conforme apurado pela reportagem, Renato Figueiredo estava lotado na Delegacia de Polícia Civil da 1ª Regional desde julho de 2022.

‘Foi coagido’, diz defesa

O policial civil segue preso preventivamente no Centro de Correição da Polícia Militar em Porto Velho (RO). A defesa dele está sendo feita pelo advogado Antônio Carlos Pereira Neves, que informou que impetrou, neste sábado (28), habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJ-RO). n

“Pedimos revogação da prisão preventiva pelas medidas cautelares diversas da prisão ou prisão domiciliar em virtude de o policial civil ser o único provedor da família e responsável pelos cuidados do filho que possui 4 anos. Além de preencher os requisitos de responder ao processo em liberdade, por ser réu primário, ostentar bons antecedentes, e não se dedicar a prática de crimes, não associar ou integrar organização criminosa”, destaca o advogado.

A defesa também disse que pretende provar no processo que o policial foi coagido a dirigir o carro com a droga e que deve apresentar provas disso.

“Ele se dedicou por mais de 19 anos a servir ao público. No momento adequado apresentará suas razões com provas robustas e incontestes nos autos do processo que ele fora coagido de forma irresistível a conduzir o veículo, onde também demonstrará sua inocência”, reforçou.

Renato Figueiredo foi abordado por uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF-RO) na manhã do dia 17 de janeiro. Ele viajava em uma caminhonete com um amigo, de 37 anos, quando foi parado na Unidade Operacional da PRF de Ji-Paraná.

Segundo o registro policial que a Rede Amazônica Acre teve acesso, a equipe da PRF-RO pediu a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Figueiredo e ele entregou a carteira de policial. O policial rodoviário insistiu que o motorista apresentasse a CNH e Figueiredo ficou bastante nervoso, o que chamou a atenção dos policiais.

Ainda segundo a PRF-RO, o policial acreano deu respostas desconexas ao ser questionado sobre o motivo da viagem, o percurso, destino e outros detalhes. O passageiro que estava no carro também apresentou nervosismo e confusão ao responder as perguntas.

Diante da suspeita, a equipe policial de Rondônia decidiu fazer uma vistoria minuciosa no veículo e acabou achando 50 tabletes de cloridrato de cocaína em um fundo falso da caminhonete. A droga pesou mais de 57,2 quilos. Imagens divulgadas pela PRF-RO mostram os policiais retirando os tabletes da droga do carro.

Policial civil do Acre foi preso com mais de 57 kg de cocaína em Rondônia

Policial civil do Acre foi preso com mais de 57 kg de cocaína em Rondônia

Droga seria levada para Curitiba

O servidor público do Acre e o passageiro foram algemados e receberam voz de prisão por tráfico de drogas. Renato Figueiredo afirmou aos policiais que pegou a droga em Rio Branco e entregaria em Curitiba e que fazia o transporte para pagar uma dívida que tem com uma facção criminosa. O passageiro do carro afirmou que não sabia que o carro tinha drogas e que apenas estava de carona até a cidade de Contagem, em Minas Gerais.

A PRF-AC apreendeu mais de R$ 1 mil em espécie, celulares, documentos pessoais, cartões, seis relógios, uma pistola calibre ponto 40, carregador com 15 munições e o carro usado no transporte.

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