Jornalista acreana participa de Seminário Nacional de Comunicadoras e Defensoras dos Direitos Humanos

A Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores do Brasil reuniu cerca de 50 mulheres de todo país no último fim de semana em São Paulo (SP). O seminário

A Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores do Brasil reuniu cerca de 50 mulheres de todo país no último fim de semana em São Paulo (SP). O seminário sobre segurança para mulheres comunicadoras, que aconteceu entre 09 e 10 de fevereiro, é uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e Artigo 19, com apoio da Repórteres sem Fronteiras, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e da Associação Profissão Jornalista (APJor).

“É uma honra compor esse importante grupo de trabalho e poder dialogar com jornalistas do Brasil inteiro, sobre o nosso ofício, os riscos e vulnerabilidades a que estamos expostas, por sermos mulheres e comunicadoras”, afirmou Dayana Maia, jornalista de Cruzeiro do Sul, no Acre, que participou do evento.

Dayana foi selecionada para o projeto em razão de sua atuação na Amazônia como mulher e comunicadora popular. O seminário debateu práticas de proteção e os principais riscos às mulheres jornalistas e comunicadoras.

VIOLÊNCIA NA DITADURA – A iniciativa também contou com a presença da jornalista Maria Amélia de Almeida Teles, sobrevivente da Ditadura Militar. Amelinha, foi sequestrada por agentes do regime militar brasileiro e levada ao Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Durante três meses de prisão, foi submetida à tortura por agentes do Estado, dentre eles o comandante Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seus filhos, com quatro e cinco anos à época, foram obrigados a assistir toda a violência.

“O Brasil está vivendo ainda um impasse, em que pese que foi eleito um governo democrático. O nosso país não vai avançar sem dar o devido reconhecimento e voz a todos, sem distinção. Ainda há uma dificuldade em implementar políticas públicas voltadas para a melhoria da vida das pessoas. Mas, o primeiro passo para restabelecer a democracia foi dado. E é fundamental o papel das jornalistas e comunicadoras populares, pois são elas que bravamente trazem à tona questões centrais, que envolvem as minorias, como indígenas, quilombolas, negros, ribeirinhos”, disse a sobrevivente da ditadura no Brasil.

Ao menos 25 jornalistas e comunicadoras foram assassinadas no Brasil em função do exercício de sua atividade nos últimos 10 anos. O número é o 2º maior da América Latina no período, atrás apenas do México. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas, (Fenaj), 430 casos de violência contra os profissionais da comunicação foram registrados em 2021. Ataques virtuais são cada vez mais frequentes e quando direcionados às mulheres, geralmente incorporam mensagens de cunho misógino e sexual.

Com base nisso, esse ano, o foco central da Rede Nacional de Proteção, foi o exercício da profissão, sob o olhar atento da segurança digital, desde orientações para auto proteção aos defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, como também o fortalecimento da proteção integral em redações e coletivos de comunicação comunitária.

“É urgente falar de mulheres comunicadoras e com absoluta prioridade. O maior exemplo disso foi o crescimento exponencial de ataques a jornalistas. Esse evento é um marco para a construção de novos paradigmas. Tudo que aqui foi tratado, será condensado em um documento coletivo, enquanto base para a proposição de um projeto de lei, em âmbito nacional, assinado pelas 55 mulheres comunicadoras que participaram do encontro”, disse Maria Tranjan, coordenadora do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos (PPD-DH) da Artigo 19.

Por Assessoria
Redação Juruá24HORAS

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