Com apenas 4 meses a pequena “Maria” já tem história triste para contar, mas infelizmente, assim como ela, outras 44 crianças e adolescentes vivem a mesma situação na casa de acolhimento Fundação Betel em Cruzeiro do Sul.
De onde a garotada deveria receber carinho, o que vem é agressão, abuso e abandono. As que hoje estão na casa abrigo foram retiradas de suas famílias biológicas pela justiça por diversos motivos, sempre muito duro, como violência doméstica, abuso sexual e outros.
Nos últimos dois anos a coordenação da Fundação Betel viu o número de crianças e adolescentes enviados à casa mais que dobrar. Com a capacidade para abrigar 20 pessoas, o lar está hoje com 45 crianças e adolescentes. Um esforço que vem sendo feito pela direção para não deixar os pequenos desamparados.
“Nossa capacidade é de 20, mas hoje estamos com 45. Desde 2020 que o número começou a aumentar. Anteriormente tinhas 15, 18, não passava de 20. Agora é 40, 45, já chegamos a ter até 50”, contou Tânia Ramalho – coordenadora da casa de acolhimento Fundação Betel
O aumento no número de acolhidos está ligado diretamente ao número de denúncias que chegam ao conselho tutelar de Cruzeiro do Sul que também registrou um aumento, em mais de 100%, no número de violência contra crianças e adolescentes,
No primeiro trimestre os conselhos de Cruzeiro do Sul deram encaminhamento em mais de 170 casos de violência contra criança e adolescente, sendo que no mesmo período do passado ano passado foram registrados 70.
Várias crianças e adolescentes já estão no acolhimento institucional há mais de um ano, algumas, infelizmente, não possuem mais um lar para voltar. Foram abandonados pelos pais e parentes mais próximos, o destino provavelmente será adoção. Marlon Machado, Juiz da vara da infância disse que os esforços são para não afastar as crianças da família biológica.
“Infelizmente é uma realidade, acredito que não só no Acre, mas em todo o Brasil que os nossos abrigos, de fato, estão lotados, né? E isso é fruto de famílias mal estruturadas, de famílias que tem problema com drogas, com álcool ou até mesmo com a violência e tráfico de drogas. E a gente sempre prioriza tratar a família, o juiz primeiro trata a família, então a destituição do poder familiar é o último remédio aplicado aqui pelo judiciário”, explicou o juiz.

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