Aleac faz caravana para fiscalizar obras de reconstrução da BR-364; estrada chegou a ficar quase intrafegável

A BR-364 está recebendo serviços de manutenção e recuperação após ficar praticamente intrafegável entre o final do ano passado e início deste ano, quando é registrado o chamado “inverno amazônico”,

A BR-364 está recebendo serviços de manutenção e recuperação após ficar praticamente intrafegável entre o final do ano passado e início deste ano, quando é registrado o chamado “inverno amazônico”, que é o período de chuvas na região. Muitos empresários chegaram a fazer outdoors pedindo intervenção na principal rodovia do estado, que liga a capital até Cruzeiro do Sul ao longo de 648 quilômetros.

Com a liberação de recursos federais, os serviços estão sendo feitos na estrada e, na próxima sexta-feira (30), uma caravana encabeçada pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) deve fazer o trajeto entre a capital e Cruzeiro do Sul para fiscalizar as obras.

Em abril deste ano, o g1 mostrou a dificuldade para se chegar a segunda maior cidade do estado. Apenas uma companhia aérea opera voos com destino à cidade, em dias alternados, no período noturno. O alto custo das passagens torna o problema ainda mais grave. Desde março de 2022, a Gol opera os voos às segundas, terças, quintas e sábados, e apenas à noite. De acordo com a empresa, não há previsão para aumento do quantitativo destas viagens.

Outra maneira de chegar até a cidade é pela BR-364, mas as más condições da estrada maltratavam quem precisa dela para se locomover. A viagem que durava entre 8 a 12 horas de ônibus, chegou a ultrapassar as 20 horas e, dependendo do dia, podia durar as 24 horas. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já chegou a informar que não foram garantidos recursos para a estrada no ano passado e, por isso, a situação ficou crítica.

Já em maio, ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou as ordens de serviço que autorizam a recuperação de trechos em mau estado de conservação na BR-364, no Acre. Os trechos recuperados são:

  • Lote 2: de Rio Branco até o Riozinho do Andirá – total de mais de 53 quilômetros que precisam de recuperação;
  • Lote 7: do Rio Gregório ao Rio Liberdade – total de 62 quilômetros

 

Mesa diretora da Aleac fez coletiva para anunciar a caravana até Cruzeiro do Sul — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Mesa diretora da Aleac fez coletiva para anunciar a caravana até Cruzeiro do Sul — Foto: Eldérico Silva/Rede Amazônica Acre

Caravana

 

Para fiscalizar esse recursos, os deputados estaduais vão fazer o trajeto junto com o Dnit. Ricardo Augusto de Araújo, superintendente do Dnit, explicou que essa é uma oportunidade de mostrar aos deputados o que tem sido feito e também defender a implantação de camadas de macadame hidráulico, uma tecnologia que deve garantir a qualidade das obras.

“Nós temos 20 frentes de obras nestes trechos. Nossa engenheira saiu de Cruzeiro do Sul e gastou 9 horas para chegar aqui [capital], isso mostra que já está dando certo, estamos fazendo serviço de tapa-buraco e reconformação da plataforma. Os trechos onde estão os maiores problemas, nós já estamos fazendo os remendos profundos e vamos fazer também o macadame. São aqueles trechos que precisam de melhor atenção que é onde tem água. Essa foi a melhor solução que encontramos e vai dar certo. Estamos recuperando todos os aterros, fazendo limpezas laterais, reconstrução de bueiros que é muito importante e acho que a nossa ideia é que a gente possa dar trafegabilidade não só no verão, mas deixar essa estrada para o uso no inverno, que é o maior trabalho”, destacou.

Araújo disse ainda que foram investidos na BR quase R$ 170 milhões. Segundo ele, apesar de ser um sistema mais caro, o macadame hidráulico garante quase nada de manutenção.

“O macadame hidráulico faz com que a água seja colocada para o lado e não cheguem a plataformas. Temos 8 km que foram feitos em 2015 e 2016 que hoje não precisaram de manutenção nenhuma. A importância dessa visita é que vamos verificar esses trechos onde foi feito esse serviço. Ele sai um pouco mais caro, mas com o passar do tempo, ele se mostra muito mais eficaz e eficiente porque a manutenção é quase zero, o que é caro hoje se torna mais barato ao longo do tempo. A ponte de Tarauacá também já foi licitada e deve ser entregue este ano.”

Fiscalização recorrente

 

O 1º secretário da mesa diretora da Aleac, Nicolau Júnior, que é natural de Cruzeiro do Sul, enfatizou que conhece a importância da estrada para o Vale do Juruá. O parlamentar defendeu que as fiscalizações sejam feitas de maneira mais recorrente e disse ainda que é preciso ficar atento ao dinheiro gasto na estrada.

“Já foi investido muito recurso. Há anos a gente sonha com essa BR, que é a obra mais importante do nosso estado e agora queremos tratar com mais carinho, mais respeito, mais transparência. Se trabalhar unido, passo a passo, vamos ter uma fiscalização melhor. Então, vamos fazer isso agora e depois, ou seja, vai continuar essa fiscalização. Não vamos fazer essa viagem e deixar pra lá. Não dá mais para gente desperdiçar dinheiro na estrada, agora a gente tem que trabalhar de forma correta. A Aleac vai fazer esse papel de fiscalização, que esse é nosso dever”, destacou.

 

Além dos deputados estaduais, a caravana deve contar com deputados federais, senadores, Dnit e órgãos de fiscalização.

“O Dnit vai poder mostrar o trabalho que está sendo feito, isso é muito importante, são 20 equipes trabalhando e vamos poder conhecer o macadame. Eu, que sou do Juruá, sei o sofrimento dessa estrada e sei o tanto que prejudica nossa região. Tudo no Juruá aumentou, as pessoas pagam um preço muito caro para viver no Juruá. Lembro na época que morava lá e não tinha essa estrada. Eram 30 dias para que uma balsa de Manaus chegasse com mercadorias para Cruzeiro do Sul. Melhorou muito, mas queremos fiscalizar de perto porque é um bem nosso, um bem do povo”, enfatizou.

O grupo deve fazer o percurso na sexta, com uma parada em Sena Madureira e depois segue para Cruzeiro do Sul. A previsão é que o retorno seja ainda no sábado (1).

BR no PAC

 

O presidente da Aleac, Luiz Gonzaga, disse ainda que a partir de agora não deve faltar recursos para as obras na BR-364, uma vez que, segundo ele, ela consta no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reuniu grandes obras durante os governos petistas.

O presidente da Aleac, Luiz Gonzaga, disse ainda que a partir de agora não deve faltar recursos para as obras na BR-364, uma vez que, segundo ele, ela consta no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reuniu grandes obras durante os governos petistas.

“É uma visita técnica para a gente ver como os trabalhos estão andando para que, a partir daí, nós possamos cobrar ou elogiar. Mas, a notícia que nós temos é que a BR já melhorou bastante. Nossos servidores da Casa, que foram este fim de semana, gastaram 9 horas de Cruzeiro do Sul para Rio Branco e o mais importante é que a BR está incluída no PAC, todas as obras do PAC são obras que não faltarão recursos e essa obra do PAC é de reconstrução, porque as obras de tapa-buracos, de restaurar, são muito importantes, mas o que interessa para o povo do Juruá e do Acre é a reconstrução e me deixa muito feliz em saber que o presidente Lula já incluiu a BR-364 no PAC”, pontuou.

Outdoor colocado na estrada pede que a BR-364 seja recuperada  — Foto: Bruno Vinicius/Rede Amazônica Acre

Outdoor colocado na estrada pede que a BR-364 seja recuperada — Foto: Bruno Vinicius/Rede Amazônica Acre

Movimento empresários

 

Em fevereiro deste ano, os prefeitos de cinco municípios interligados pela BR-364 assinaram um documento que pede a recuperação da rodovia e alerta para o impacto econômico na região. O documento foi entregue à bancada federal do Acre pelo prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima. Segundo ele, os problemas precisavam ser resolvidos para evitar o fechamento da estrada.

No dia 2 de abril, a superintendência regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Acre (Dnit) declarou situação de emergência em alguns trechos do km 620 ao km 682 entre o Rio Gregório e o Rio Liberdade, que ficam entre as cidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

Desde a publicação do decreto de emergência, esses trechos críticos passaram por serviços paliativos, com os buracos sendo tapados com pedras e pó de pedra para garantir a circulação dos veículos na estrada.

Colaborou Eldérico Silva, da Rede Amazônica Acre.

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