Chico Mendes: Casa de líder seringueiro morto é reaberta após cinco anos fechada em Xapuri

Casa, que é considerada um dos patrimônios históricos mais importantes na história do Acre, estava fechada desde 2018. Obras de manutenção e reforma totalizaram investimento de R$ 92 mil.

Símbolo da luta ambientalista e um dos patrimônios históricos mais importantes do Acre, a casa do líder seringueiro Chico Mendes foi reaberta nesta sexta-feira (10) após ficar cinco anos fechada para reforma na cidade de Xapuri, no interior do Acre. O imóvel chegou a ficar fechado também para revitalização após a enchente histórica em Xapuri em 2015. A conclusão das obras de manutenção e reforma totalizou um investimento de R$ 92 mil.

Na época, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) explicou que já havia um projeto de restauração planejado desde 2014, mas, após a cheia do rio, precisou passar por modificações.

Após essa obra, a casa foi reaberta em junho de 2017 e voltou a receber visitas. Contudo, o lugar voltou a ser fechado em 2018 para obras.

Nesta segunda, a revitalização foi entregue com a presença de autoridades. Foi na casa de número 487, na rua Batista Moraes, que população também pôde.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou a importância dessa reabertura para a manutenção da história do Acre e do Brasil e destacou ainda que o instituto fez uma reparação histórica.

“Então hoje a gente reabre ao povo brasileiro para que aqui as pessoas entrando possam sentir e possam se conectar com a luta em defesa dos povos indígenas, em defesa da biodiversidade. Nós temos aqui relatos nas placas desses últimos momentos da vida do Chico, da família dele, das pessoas que estavam com ele. E que ilustra também a violência, infelizmente, que acontece até hoje com aqueles que defendem a Amazônia, que defendem os mais pobres, que defendem a justiça social. O que o Iphan fez, na verdade, é uma reparação, uma reparação histórica, uma reparação com a família do Chico, com a comunidade de Xapuri, com o Brasil, porque esse lugar precisa estar aberto para que as pessoas, além de conhecerem a história do Chico, penetrarem também na sua intimidade, no seu dia a dia”, disse.

Casa em Xapuri onde viveu e morreu Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

Casa em Xapuri onde viveu e morreu Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

Grass também disse ainda que é um momento para que a história de Chico seja mantida e perpetuada. “A entrega dessa casa que ficou muito tempo fechada e que é do povo, é da família do Chico, mas também é do povo brasileiro, é um grande patrimônio da nossa sociedade, do nosso país”, destacou.

Para o prefeito da cidade, Bira Vasconcelos (PT), destacou que o local onde viveu Chico Mendes não é apenas um simples espaço, mas um símbolo que representa os povos extrativista.

“Representa toda a luta dos povos da Amazônia pelas ideias de Chico Mendes. A ideia do não desmatamento, do uso econômico mais sustentável da floresta e principalmente as gerações futuras terão a oportunidade não de só ver o local, mas também de partilhar as ideias, os ideais e toda a luta que o Chico tinha com todos os outros companheiros como Raimundão, Julio Barbosa e tantos outros”, disse.

Raimundo Mendes, conhecido como Raimundão, é primo de Chico Mendes e disse que está emocionado com a entrega. Ele falou um pouco um pouco da luta de Chico Mendes.

“O legado que o Chico deixou foi um legado extraordinário. As reservas extrativistas, a educação nos seringais que o Chico começou a trabalhar, ainda como presidente do nosso sindicato. Tantas e tantas coisas que o Chico fez em vida. Tanto isso é verdade que hoje a sua memória não é mais de Xapuri. É do Brasil e do mundo”, destaca.

População de Xapuri acompanha entrega da reforma da casa de Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/Rede Amazônica Acre

População de Xapuri acompanha entrega da reforma da casa de Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/Rede Amazônica Acre

Ele disse ainda que a família de Chico Mendes firmou um contrato de aluguel com a prefeitura, mas que é algo simbólico, diante dos benefícios desse ponto turístico e histórico estar em funcionamento.

“Agora vai funcionar todos os dias, inclusive nos finais de semana e os guias turísticos aqui são filhos de seringueiros, são pessoas que vivenciam essa luta no dia a dia e nós queremos que as pessoas visitem Xapuri e, logicamente, isso reativa a economia, o turismo mas, principalmente, o resgate dos ideais do Chico”, finalizou.

Para quem vive na cidade, é uma oportunidade de fazer a economia girar. Maria Helena tem 65 anos, é comerciantes, e lembra, inclusive do dia da morte de Chico Mendes.

“Foi uma comoção muito grande. Muito grande mesmo. Muita gente. Eu assisti tudo. Quando mataram ele. Acredito que ele morreu para dar vida a outras pessoas. Porque aqui naquele tempo matavam muita gente. E depois da morte dele, parou. Vem gente de todo lugar do mundo, dos Estados Unidos, de todo canto mesmo para conhecer a casa e acaba nos ajudando nas vendas”, disse.

Ãngela Mendes acompanha entrega da reforma da casa do pai, Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

Ãngela Mendes acompanha entrega da reforma da casa do pai, Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

A filha de Chico, Ângela Mendes, esteve presente na reinauguração disse estar emocionada em ver a casa do pai sendo reaberta à população novamente.

“Essa casa tem muita história e ela é, de fato, muito importante. A emergência climática tá tão presente na vida da gente como toda a luta que emergiu aqui de Xapuri, do movimento socioambiental daqui, do movimento dos extrativistas liderado por meu pai. Ela é importante e ela é, hoje, os ideais e o legado que Chico nos deixa a partir dessa luta, a partir desse lugar. A casa também representa tudo isso, sabe, essa luta de todos que estão espalhados hoje fazendo essa grande resistência, fazendo esse enfrentamento contra essas emergências climáticas”, disse.

Túmulo de Chico Mendes, morto em 1988 — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

Túmulo de Chico Mendes, morto em 1988 — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

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