Acre foi um dos poucos Estados em que detentos não tiveram ‘saidinha de fim de ano’

Projeto que pretende acabar com as saidinhas temporárias já tramita no Senado Federal

Cerca de 56 mil detentos foram beneficiados com as ‘saidinhas de fim de ano’ no Brasil, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo. Desse total, quase 3 mil não retornaram aos presídios no tempo máximo estabelecido.

No Acre, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), informou que não houve detentos beneficiados com as saidinhas e explicou que os presos que têm esse direito no estado, já são acolhidos por conta da tornozeleira eletrônica. “Eles já usufruem desse direito de estar em casa sob monitoramento o ano todo”, disse a nota.

O benefício já existe há quase 40 anos pela Lei de Execuções Penais. No texto, é permitido temporariamente a liberdade a presos do regime semiaberto que atendam a alguns requisitos, as chamadas ‘saidinhas’.

No Senado Federal, já tramita um projeto que pretende acabar com as saidinhas temporárias. O PL deve ser apreciado na Comissão de Justiça e Segurança Pública, presidida pelo senador do Acre, Sérgio Petecão. Em entrevista à CNN, ele já declarou ser contra o benefício e informou que deverá colocar o projeto em pauta assim que o recesso parlamentar se encerrar.

O senador é o presidente da Comissão de Segurança Pública/Foto: Juan Diaz/ContilNet

“Eu sou contra esse negócio de saidinha. Bandido não pode ter saidinha. Agora, lá dentro do presídio tem pessoas que cometeram crimes leves, mas que estão no processo, o cara sai para trabalhar, o cara sai para estudar. Tem várias entidades que vieram e pediram para a gente discutir melhor”, disse.

Ainda da bancada federal do Acre, o senador Marcio Bittar (União) já disse abertamente ser a favor do projeto que proíbe as saidinhas. A mesma posição tem o senador Alan Rick (União), que já comentou sobre o projeto nas redes sociais.

“Infelizmente a nossa legislação permite que muitos bandidos sejam libertados no Dia dos Pais, Natal e Ano Novo por terem bom comportamento. Vários são os casos noticiados pela imprensa de presos que não voltaram das saidinhas. Isso é vergonhoso e precisa acabar”, escreveu Alan.

Sobre o projeto

No Senado, as saídas de presos estão sendo discutidas pela Comissão de Segurança Pública (CSP). Após 11 anos tramitando na Câmara, o Projeto de Lei (PL) 2.253/2022 (PL 583/2011 na casa de origem) começou a ser analisado pelos senadores em 2022. Desde então, já houve audiência pública sobre o tema e foram apresentados dois relatórios pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o último deles em outubro. A expectativa é de que a comissão analise o texto a partir de fevereiro, após a volta do recesso parlamentar.

Ao falar sobre o projeto, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que, na última saída de Natal, 250 presos não retornaram aos presídios no Rio de Janeiro. O senador disse considerar as saidinhas um desrespeito com as vítimas. Na visão do senador, senadores da base do governo estão atrapalhando a tramitação do projeto.

contilnet

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