Pela primeira vez, duas espécies de bagre amazônicas, a dourada (Brachyplatystoma rouseauxii) e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii), foram adicionadas à lista da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), também conhecida como Convenção de Bonn. Este marco histórico para a biodiversidade da Amazônia reflete o reconhecimento da necessidade urgente de proteger essas espécies que realizam algumas das mais longas migrações em água doce do mundo.
Migrações Recordistas A dourada viaja impressionantes 11 mil quilômetros até o sopé da Cordilheira dos Andes para se reproduzir, enquanto a piramutaba percorre cerca de 5.500 quilômetros do estuário do rio Amazonas até Iquitos, no Peru, para desova. Essas jornadas não são apenas recordes mundiais de distância, mas também são cruciais para o ciclo de vida desses peixes.
Importância Econômica Conhecidos como “peixes de couro” devido à ausência de escamas, a dourada e a piramutaba são fundamentais para a economia da região amazônica. Sua facilidade de limpeza os torna uma parte valiosa da culinária local e contribui para seu alto valor comercial.
Ameaças e Conservação No entanto, essas espécies enfrentam ameaças significativas, principalmente devido à pesca e ao impacto das hidrelétricas que interrompem suas rotas migratórias. A construção de barragens já reduziu a área de migração da dourada em 37%, levando a IUCN a classificar a espécie como “vulnerável” à extinção em 2023.
Impacto da Inclusão na CMS Com a inclusão no Apêndice II da CMS, espera-se que haja um aumento na cooperação internacional para a conservação desses bagres, envolvendo países como Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. Esta medida é um passo crucial para garantir que medidas eficazes sejam implementadas para proteger essas espécies e seus habitats, evitando assim um aumento na ameaça de extinção.
A decisão da CMS é um chamado à ação para a preservação da rica biodiversidade da Amazônia e a sustentabilidade de suas comunidades locais.
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