Você sabia que uma região do Acre abriga a maior diversidade de anfíbios do Brasil? Entenda

Os resultados foram catalogados na revista científica Zoological Society of London em dezembro do ano passado

O jornal Estadão deu destaque nesta semana para um estudo conduzido e coordenado por um pesquisador da Universidade de Tel Aviv, em Israel, com a participação de vários cientistas do mundo, incluindo a Universidade de São Paulo (USP). Os dados se debruçam sobre algumas regiões do planeta com a maior biodiversidade.

“Uma das áreas com maior riqueza é a Bacia Amazônica – na região dos Andes – e o nordeste da floresta tropical. Os Grandes Lagos Africanos e boa parte do Sudeste da Ásia também aparecem como regiões com alta diversidade de espécies”, publicou o site.

Os resultados foram catalogados na revista científica Zoological Society of London em dezembro do ano passado.

Entre os destaques do estudo está o Acre. Marcio Martins, professor do Instituto de Biociência da USP e um dos autores da pesquisa afirma:

“No Brasil, a diversidade mais alta de anfíbios é na Serra do Divisor, no Acre, que está a 200 km da Cordilheira dos Andes”. A mesma biodiversidade, no entanto, não foi encontrada nas áreas com altitude superior a 4 mil metros do Andes, já que o frio dificulta a sobrevivência dos animais.

Os anfíbios são os animais popularmente conhecidos como sapos, rãs, pererecas, salamandras, tritões, cobras-cegas e cecílias. Todos eles fazem parte da Classe Amphibia, a qual está dividida em três Ordens.

Lugares com maior volume de chuva costumam ter maior diversidade de espécie de mamíferos e aves. Eles fazem parte do grupos dos animais endotérmicos, por isso, mantêm a temperatura corporal com o calor gerado pelo próprio corpo. Dessa forma, esses animais conseguem viver tanto em lugares quentes quanto frios.

Por outro lado, como produzem calor o tempo todo, precisam de comida de forma contínua e em alta quantidade para sobreviver. E a chuva traz impactos significativos na disponibilidade de alimentos.

Mesmo sem capacidade de produzir calor pelo próprio corpo, já que são ectotérmicos (animais de “sangue frio”), os anfíbios tiveram a maior correlação com a presença de precipitações. Eles dependem de água e umidade para realizar atividades e processos fisiológicos essenciais para sua existência.

De todos os tetrápodes, o único em que a relação de diversidade de espécies e chuva não foi registrada foi a dos répteis. Esse grupo também é ectotérmico, ou seja, tem maior vulnerabilidade às temperaturas do ambiente. Eles conseguem, porém, viver em condições de seca.

“Os répteis têm o corpo coberto de escamas, não perdem água para o ar”, explica o professor a USP. Por isso, de acordo com ele, os répteis são bastante presentes na Austrália, onda há grandes desertos.

Leia o estudo completo na revista Zoological Society of London.

Com informações do Estadão.

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