Nesta quarta-feira, 27, produtores de café de vários municípios da região do Juruá participaram de um Dia de Campo promovido pela Embrapa Acre e pela Universidade Federal do Acre (UFAC). O evento ocorreu na área experimental da UFAC e teve como foco a apresentação de clones de café conhecidos como “robustas amazônicos”.
Bruno Pena, chefe geral da Embrapa Acre, destacou a importância da atividade. “Hoje estamos realizando um dia de campo para apresentar os clones que conhecemos como robustas amazônicos. Essa atividade do café clonal está crescendo muito na região e, aqui, em parceria com a UFAC, estamos mostrando uma área implantada em 2017 que tem alcançado produtividades de 75 a 90 sacas por hectare de café sem irrigação. É uma oportunidade para mostrar ao produtor como conduzir corretamente sua lavoura, implantá-la de forma adequada e alcançar boa produtividade”, explicou Pena.
Entre os participantes estava José Oliveira do Nascimento, conhecido como Zeca da Farinha, da comunidade Alto Pentecoste, em Mâncio Lima. Ele compartilhou suas experiências e os desafios enfrentados no cultivo de café. “Eu comecei a cultivar café, mas cometi erros devido à falta de recursos e conhecimento. Este Dia de Campo é muito importante para aprender boas práticas e evitar prejuízos no futuro”, afirmou Zeca.
Outro produtor, Salatiel Magalhães, destacou o crescimento da produção de café em Rodrigues Alves. “Hoje, o município está iniciando a cultura do café com mais de 15 produtores já colhendo suas primeiras safras com bons resultados. A produção de café está se tornando uma alternativa viável para a agricultura familiar, gerando renda e aquecendo o mercado local”, disse Magalhães.

O professor Leonardo Tavella, da UFAC, também enfatizou a importância do evento. “Estamos trazendo e mostrando os resultados do nosso trabalho desde 2017. Hoje, apresentamos dados e práticas para uma cafeicultura produtiva e sustentável. Dividimos o evento em estações, abordando desde a implantação da lavoura até o manejo de poda e adubação”, explicou Tavella.
A economia local também se beneficia com o crescimento da cafeicultura na região. Tavella mencionou que, até 2024, estima-se que mil hectares de café estarão plantados no Vale do Juruá, o que representa uma grande injeção na economia local. “A cafeicultura está gerando autonomia e poder de compra para os produtores, movimentando bancos, cooperativas, extensionistas e o comércio local. É uma roda que não gira sozinha, mas que envolve toda a cadeia produtiva”, ressaltou.
O evento também destacou a importância do café clonal, uma tecnologia que permite alta produtividade e resistência a pragas e doenças. “O café clonal traz plantas melhoradas, com alta produção e resistência. Com manejo adequado, esses clones podem atingir produtividades impressionantes, como mais de cem sacas por hectare ao longo de cinco colheitas”, concluiu Tavella.

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