Moradores de Porto Walter realizam limpeza do ramal em pedido de socorro

A interdição do ramal, solicitada pelo Ministério Público Federal, é vista pelos moradores como um obstáculo injusto.

Os moradores de Porto Walter definem o ato de limpeza do Ramal de Porto Walter como um pedido de socorro, uma forma de chamar a atenção para sua causa. Durante cinco dias, um grupo de voluntários realizou a limpeza da estrada, que atualmente se encontra embargada pela Justiça, mesmo após ter sido aberta.

Éder Farias, um dos organizadores do grupo, explicou que a ação foi motivada pela escassez de produtos básicos devido à seca do rio Juruá, afetando diretamente a vida dos moradores. “Foram cinco dias de limpeza, começando na comunidade Nova Esperança, que nos acolheu com comida e abrigo. Conseguimos avançar até a fazenda do seu Mário Corrêa, com cerca de 60 pessoas envolvidas no serviço braçal”, relatou Éder.

A mobilização contou com doações da comunidade, arrecadadas via Pix, para cobrir os custos com combustível, equipamentos de proteção e outras despesas. A população de Porto Walter, assim como de todo o Rio Juruá, sofre há anos com o isolamento causado pela seca dos rios. “Nós conhecemos na pele o que é passar pelo isolamento. Enquanto outros municípios do Acre têm acesso terrestre e benefícios, nós temos nosso direito de ir e vir negado”, afirmou Éder.

A interdição do ramal, solicitada pelo Ministério Público Federal, é vista pelos moradores como um obstáculo injusto. “O Ministério Público deveria cobrar do Estado e dos municípios a execução legal da obra, ao invés de embargá-la. Temos crianças que precisam de tratamento fora do domicílio e enfrentam grandes dificuldades devido ao isolamento”, destacou.

Desde o início das manifestações, que começaram no dia 25, os moradores não receberam resposta de seus representantes políticos. “Estamos cansados de promessas não cumpridas. A população de Porto Walter exige uma solução concreta para o problema do isolamento”, disse Farias.

O movimento é pacífico, mas determinado. “Se for necessário, faremos manifestações mais intensas para assegurar nosso direito à estrada. Nossa luta é por dignidade e pelo fim do isolamento que nos afeta há tanto tempo”, enfatizou.

Os indígenas que utilizam a estrada também apoiam sua liberação, contradizendo as ações da FUNAI. “Ao invés de defender os direitos dos indígenas e buscar soluções, a FUNAI quer manter o povo isolado. É vergonhoso para o nosso estado não conseguir resolver essa questão interna”, acrescentou.

A população de Porto Walter clama por ação e atenção imediata das autoridades para solucionar o problema que os afeta há décadas, buscando assegurar o direito de ir e vir garantido pela Constituição.

Jurua24horas

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