Que sejam muitas as novas mulheres na política

Existem hoje no Acre três mulheres prefeitas, em Tarauacá, Senador Guiomard e Brasiléia, o que é muito pouco – menos de 20% das cidades. Não tenho muitos elementos para fazer

Existem hoje no Acre três mulheres prefeitas, em Tarauacá, Senador Guiomard e Brasiléia, o que é muito pouco – menos de 20% das cidades. Não tenho muitos elementos para fazer qualquer análise sobre as suas gestões, nem é este o nosso objetivo. É necessário, contudo, neste quase início de campanha eleitoral, comemorar que as mulheres estejam se colocando no cenário e conquistando, sem dádivas ou concessões, espaços de poder.

Entenda-se que não estou a fazer coro ao mimimi feminista, de empurrar a qualquer custo uma igualdade rasa que às vezes resvala em privilégio. A intenção é estimular que por sua própria conta e risco, como deve ser, as mulheres, assim como os homens, saiam de seus confortos domésticos, familiares, empresariais etc., para participar da política em função de sua própria performance como cidadãs e seus interesses perante a sociedade.

Pelo que se sabe, em Brasiléia a tônica será mantida, pois as principais candidatas à sucessão da atual prefeita são mulheres. Em Senador Guiomar e em Tarauacá as prefeitas concorrerão à reeleição. A novidade surge em Capixaba, onde a combativa vereadora Sara disputa com chances efetivas e em Cruzeiro do Sul, onde a ex-deputada federal Jéssica Sales concorre também com grandes possibilidades. Portanto, a lista de mulheres prefeitas pode aumentar, vai depender do eleitorado.

Como candidatas a vice, por enquanto temos certa a Marfisa compondo a chapa petemedebista em Rio Branco. Li recentemente que a empresária Janaína Terças poderá compor a chapar do atual prefeito Zequinha, o que me parece uma excelente alternativa. Refiro-me especialmente à Sra. Janaína porque, dentre todas as candidatas citadas, é a que melhor conheço, embora não nos vejamos há anos.

Nesse momento de aquecimento para o jogo, ou seja, de pré-campanha (essa jaboticaba brasileira), os acordos e entendimentos visando a melhor combinação de partidos e interesses políticos é o que mais importa., mas, não se pode deixar de considerar que a qualidade profissional e a representatividade são fundamentais para que o vice-prefeito ou a vice, se for o caso, sejam efetivamente colaboradores e não ameaças ao titular.

Tornou-se comum dizer-se que vice não tem eleitor. Sinceramente, discordo. Normalmente, essa frase de demérito ao companheiro ou companheira de chapa do candidato sai de militantes como desculpa para quem se vê na obrigação de defender uma escolha de bastidores. Penso que o candidato a vice tem muita importância no processo eleitoral e pode, por sua presença nos debates e na comunicação com as pessoas, ajudar muito à eleição. Pode também atrapalhar, claro.

Uma candidata a vice da estirpe da Janaína Terças, em Cruzeiro do Sul, por exemplo, seguramente impacta a campanha de modo extraordinário, à medida que, digamos, “levanta o sarrafo” alguns centímetros, obrigando os adversários, independentemente de quem sejam, a se prepararem, estudarem os problemas do município em um nível mais elevado para não serem triturados em um eventual debate. Conhecer a economia do município, ter à mão os dados e análises das questões sociais, ter o olhar do setor privado e experiência de gestão de negócios próprios, de colaboradores etc., fazem um grande diferencial quando se compara a um oponente tirado do bolso do colete ou forjado na surdina em tramas inconfessáveis. O eleitor percebe a diferença e sabe o papel da vice prefeitura.

O fato de lidar com o mundo privado, de somar a experiência de gestão corporativa da Federação das Indústrias do Acre – FIEAC e do Sistema de Crédito Cooperativo – SICRED, de como empresária ter sido premiada nacionalmente em 2021, faz da Janaína Terças um exemplo a ser seguido por muitas mulheres em todo o estado, que precisam ouvir o chamado dos eleitores e ousarem se apresentar na política. Não por imposição de cotas feministas, mas como expressão eloquente de que não precisa deixar de ser esposa e mãe para dirigir negócios e se projetar na vida pública. 

É de mulheres assim, verdadeiramente representativas do espírito de luta e trabalho que a sociedade precisa, para que a luta política das mulheres não seja apropriada, como vem sendo, por quem grita pelo direito ao aborto livre. Mulheres empreendedoras é que são as verdadeiramente empoderadas, e o são por si mesmas, sem favor de agrupamentos militantes da esquerda nem ilusões revolucionárias de DCE. 

Nem sei se, de fato, a empresária Janaína Terças será candidata na chapa do atual prefeito Zequinha Lima, de Cruzeiro do Sul, como foi noticiado, de todo modo, que sirva de inspiração para as centenas de milhares de mulheres acreanas que até aqui tem sido ainda tímidas quanto à busca de espaço na política. Venham muitas Janaínas, que cheguem com alegria e dedicação a esta cena fundamental da democracia, os eleitores aguardam ansiosos por seus nomes na urna eleitoral.

Por Valterlucio Campelo, Ac24horas 

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