A intensa estiagem que atinge a região do Juruá está causando graves impactos nas comunidades indígenas, especialmente em municípios como Marechal Thaumaturgo e Feijó. A baixa dos rios e igarapés, que secam cada vez mais rápido, tem deixado essas populações isoladas e sem acesso a água potável para consumo.
Em entrevista a equipe do site juruá24horas, o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Juruá, Isaac Piyâko, destaca que a situação é crítica. “Cada ano que passa, a estiagem aumenta e os rios secam mais rápido. Nossa equipe não consegue chegar a todas as aldeias, e a falta de saneamento básico agrava a situação, pois a água que resta está cada vez mais quente e imprópria para cosumo”, afirma.
A dificuldade em acessar essas comunidades também impede que as equipes de saúde prestem atendimento adequado. “Recentemente, nossa equipe foi para o Rio Jordão e teve que retornar porque o nível da água estava tão baixo que os barcos precisaram ser carregados por longos trechos. Além disso, estamos sem horas-voo disponíveis para deslocamentos aéreos, o que complica ainda mais a situação”, relata Piyâko.
Além do isolamento, os indígenas enfrentam a falta de água para consumo, especialmente nas aldeias situadas em rios menores e igarapés. “Em algumas áreas, próximo ao município de Feijó, os igarapés já secaram completamente, e as comunidades não têm mais água nem para beber. Já estamos mobilizando esforços para levar água a essas aldeias, mas a situação é realmente alarmante”, destaca o coordenador.
Com aproximadamente 20 mil indígenas na região do Alto Juruá, o cenário aponta para uma crise generalizada, com a seca exacerbando problemas de saúde, como viroses e síndrome gripal, que já começam a afetar essas populações. “A seca não só isola as comunidades, mas também agrava questões sanitárias e de saúde. Precisamos de apoio urgente para enfrentar essa situação”, conclui Piyâko.
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