Força Nacional do SUS realiza visita técnica para avaliar impacto das queimadas na saúde de comunidades indígenas no Acre

Além das questões relacionadas à saúde das comunidades indígenas, outro problema identificado foi o difícil acesso a algumas aldeias.

Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) realizaram, nesta semana, uma visita técnica em Cruzeiro do Sul, município localizado a 620 quilômetros de Rio Branco, no Acre, com o objetivo de avaliar a situação de saúde das comunidades indígenas da região. A principal preocupação das autoridades de saúde é o impacto da fumaça das queimadas sobre a população local, especialmente entre crianças e idosos.

Durante a visita, realizada em parceria com as secretarias Estadual de Saúde do Acre e Municipal de Saúde de Mâncio Lima, os técnicos da FN-SUS analisaram dados epidemiológicos e avaliaram a capacidade de resposta da rede de assistência à saúde. “Realizamos diagnóstico vivo situacional para avaliação das necessidades de saúde, alimentar, medicamentos e insumos básicos frente às emergências climáticas ocorridas no estado”, explicou Conceição Mendonça, enfermeira emergencista responsável pela ação.

As aldeias da etnia Puyanawa, que possuem características urbanas por estarem localizadas próximas ao município de Cruzeiro do Sul, são habitadas por cerca de 800 indígenas distribuídos em 200 famílias. Segundo a avaliação, as condições de saúde são satisfatórias, com uso de água tratada e sem necessidade, no momento, de cestas básicas. Contudo, a densa fumaça das queimadas tem agravado o número de síndromes gripais, principalmente em crianças e idosos, além de causar irritação nos olhos. “Estamos em ação conjunta com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Juruá para manter as Unidades Básicas de Saúde (UBS) abastecidas com medicamentos específicos e nebulização, além de monitorar os casos de síndromes gripais e diarreia”, destacou a enfermeira.

A situação é ainda mais crítica nos municípios de Feijó, Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, que estão em alerta devido ao aumento no número de óbitos relacionados a síndromes respiratórias em idosos e crianças com menos de um ano.

Acesso comprometido

Além das questões relacionadas à saúde das comunidades indígenas, outro problema identificado foi o difícil acesso a algumas aldeias. De acordo com o coordenador da Sala de Situação Climática do Ministério da Saúde, Marco Horta, que se reuniu com autoridades do DSEI Alto Rio Juruá, os polos de Marechal Thaumaturgo, Jordão e Feijó enfrentam grandes dificuldades de navegação nos rios devido à escassez de água, o que compromete o transporte de insumos e o acesso a essas localidades.

“O território indígena do Alto Rio Juruá abrange oito municípios, com uma população de 20,6 mil pessoas distribuídas em 15 povos. Identificamos 44 aldeias com restrição de acesso, sendo os polos de Marechal Thaumaturgo, Jordão e Feijó os mais afetados”, explicou Horta. Entre as principais ações discutidas estão a logística de abastecimento de água, alimentos, medicamentos e vacinas. Também foram programadas missões de campo aos municípios de Tarauacá, Marechal Thaumaturgo e Cruzeiro do Sul, previstas para esta sexta-feira (20).

Queimadas e resposta emergencial

O Ministério da Saúde tem prestado apoio contínuo aos estados e municípios afetados pelas queimadas e pela seca extrema, focando em monitorar a capacidade de assistência à saúde e elaborar planos de resposta em caso de emergência de saúde pública. A situação no Acre é um exemplo das consequências que essas crises climáticas podem gerar, especialmente para as populações mais vulneráveis.

JURUA24HORAS

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