Rio Branco está entre capitais brasileiras que não estão preparadas para lidar com eventos climáticos severos, diz levantamento

Pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis apontou que a capital acreana cumpre alguns requisitos analisados, mas falha em itens de engenharia para evitar deslizamentos de terra e desbarrancamentos, além da falta

Um levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis mostrou que Rio Branco está entre as capitais brasileiras que não estão preparadas para lidar com eventos climáticos severos. De acordo com o estudo “Grandes desafios das capitais brasileiras”, a capital acreana cumpre alguns requisitos, mas falha em itens de engenharia para evitar deslizamentos de terra e desbarrancamentos, além da falta de sistemas de alerta para desastres.

A pesquisa considerou 25 instrumentos de políticas públicas para gestão de riscos climáticos, e mostrou que a maioria das capitais brasileiras não atendem todos as condições levadas em conta. Foram elencadas desde legislações, por exemplo, do uso e ocupação do solo, planos de contingência, sistemas de alerta antecipados aos desastres e mecanismos de auxílio à recuperação.

Baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a análise constatou que Rio Branco atende a 64% das estratégias de gestão de riscos climáticos. O número coloca o município na décima colocação do ranking, liderado por Belo Horizonte e Curitiba, empatadas com 92% de cumprimento das medidas.

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Necessidade de medidas

Em entrevista à rádio CBN Amazônia Rio Branco, o coordenador de relações institucionais do Instituto Cidades Sustentáveis ressaltou que nenhuma capital brasileira alcançou 100% dos requisitos. Igor Pantoja destacou que os sistemas de alerta, um dos itens que não foram cumpridos por Rio Branco, é uma importante ferramenta de preparo para a população no caso de eventos extremos.

“Rio Branco tem uma nota de 65% desses 25 instrumentos previstos pelo IBGE. Então é uma nota, vamos dizer, 6,5. Não é uma nota boa, mas também não é a pior nota. Mas acho que é importante uma cidade que está tão vulnerável às mudanças climáticas como é o Rio Branco, ela precisa ter 100% desses instrumentos o quanto antes. Hoje o rio-branquense – e não só o Rio Branquense, mas como os acreanos – sofrem muito quando uma época do ano é a cheia, e a outra seca extrema. E agora tem esse problema que é a qualidade do ar péssima e insalubre. Isso também deveria entrar como prevenção com relação a esse cuidado”, considerou.

Outro dado preocupante que consta no estudo diz respeito às emissões de CO² (gás carbônico). Rio Branco é a cidade com a segunda maior média entre as capitais, com 15,33 toneladas por habitante considerando o ano de 2022.

“A gente fez uma pesquisa no instituto esse ano e a poluição do ar é um dos principais problemas apontados pela população. E isso foi antes das queimadas. A gente fez essa pesquisa no primeiro semestre. Então, certamente se a gente fosse repetir, esse resultado ia ser ainda mais reforçado, porque o país inteiro está sofrendo com essa questão da qualidade do ar. Rio Branco está em meio à região amazônica, acho que é uma região estratégica, não só para o Brasil, até a nível mundial, a gente tem visto todas as discussões sobre isso. E claro, precisa de recursos, precisa de apoio, mas também precisa ter propostas mais claras de como combater essas queimadas, de como impedir que a população sofra com essa questão da poluição do ar, nesse caso proveniente das queimadas”, acrescentou.

G1

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