A ceia de Natal é sempre um momento de união e muita comilança, mas quem nunca sem sentiu empanturrado depois da ceia? Essa sensação é comum, seja pela comida em excesso ou pela escolha de alimentos mais gordurosos. O ‘empachamento’ é comum e causa desconfortos, como azia, refluxo, distensão abdominal e má digestão. No entanto, pensando no seu bem estar, nós separamos algumas dicas para você poder aproveitar ao máximo a sua ceia e evitando o empachamento.
Para a população em geral, não existe um alimento específico que seja mais indigesto, principalmente em ceias com muitas alternativas, como as ceias Natalinas. No entanto é importante pensar que as comidas mais gordurosas e de digestão lenta podem favorecer a indigestão e ocasionar o famoso “empachamento”. Entre eles estão:
– Carnes com alto teor de gordura, como pernil e costela com pele;
– Embutidos, como salame, presunto e bacon;
– Frituras, como bolinhos e rabanadas;
– Sobremesas muito açucaradas.
Não se desespere ainda, sabemos que é praticamente tudo o que há em uma ceia de Natal, mas o especialista, Durval Ribas Filho, que é médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) vai explicar tudo. “Esses alimentos exigem maior esforço do sistema digestivo. Por isso, podem causar desconfortos como sensação de estufamento, refluxo ácido e até náuseas, principalmente se consumidos em grande quantidade.”
Lembre-se que não é porque é Natal que significa que podemos comer de tudo e beber o que quisermos. Qualquer tipo de excesso traz malefícios e a moderação é essencial para você aproveitar o Natal da melhor maneira, e o dia após o Natal também. O ano novo também está chegando e você precisa estar bem.
Exagerar frequente na alimentação pode sobrecarregar órgãos como: o fígado e o pâncreas, que precisam trabalhar intensamente para metabolizar as gorduras e açúcares em excesso.
Como evitar o mal-estar?
– Não pular refeições ao longo do dia, para “compensar” na ceia, pois isso aumenta o risco de exageros na hora de montar o prato;
– Iniciar a refeição com saladas e alimentos leves. Além de saudáveis, essas opções são ricas em fibras, promovendo a saciedade e facilitando a digestão;
– Comer em pequenas porções (se você sentir mais fome, você tem opção de repetir, é melhor do que estragar comida);
– Mastigar bem os alimentos e com calma (é uma maneira de dar tempo para o organismo sinalizar que está satisfeito);
– Evitar comer rápido demais ou em grandes quantidades de uma vez só;
– Evitar alimentos muito gordurosos e excessos, especialmente doces e carboidratos, como farináceos;
– Não deitar logo após comer – o ideal é esperar cerca de duas horas, especialmente quem tem refluxo;
– Evitar bebidas com cafeína, como café, refrigerantes, chá preto e chá-mate;
– Moderar no consumo de bebidas alcoólicas e evitar misturá-las com alimentos muito gordurosos;
– Incluir saladas e frutas na refeição;
– Beber líquidos entre as refeições e não durante;
Evitar comer muitas opções de proteínas pode ajudar?
Ribas Filho afirma que é recomendável limitar a ingestão a duas fontes de proteína por refeição para facilitar a digestão. “Proteínas de origem animal, como carnes vermelhas, aves e peixes são alimentos de digestão mais lenta e, quando combinadas em excesso, podem causar desconfortos digestivos. O ideal é evitar a mistura de carnes gordurosas, com queijos também gordurosos”, declara o nutrólogo.
A gastroenterologista Débora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, destaca também que o mais importante é a moderação. “Cada pessoa tem o seu consumo adequado de proteína, carboidrato, frutas, verduras e legumes. A recomendação geral é sempre buscar equilíbrio nos alimentos”, explica a gastroenterologista Débora Poli, do Hospital Sírio-Libanês.
Posso misturar bebidas alcoólicas?
Antes de qualquer dica, é importante lembrar que a OMS considera que não há nível seguro para a saúde no consumo de álcool. Mas para quem não consegue evitar um drink alcoólico na ceia, a recomendação é, mais uma vez, a moderação. E a quantidade total de álcool ingerida é mais importante de ser considerada do que a mistura ou não das bebidas.
O consumo de álcool em excesso pode sobrecarregar o fígado e causar mal-estar.“O que muitas vezes acontece é que tomamos um pouco de tudo — uma cerveja, um vinho, um drink — e, no final, a quantidade total consumida acaba sendo maior do que se tivéssemos bebido apenas duas ou três cervejas”, destaca Poli.
Não há um consenso entre os especialistas sobre o risco de misturar bebidas alcoólicas diferentes, como vinho, cerveja e whisky. Mas o gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein Fernando Pandullo diz que essa mistura pode aumentar o risco de ressaca, pois dificulta a metabolização pelo fígado. Ele acrescenta que misturar com refrigerantes ou bebidas muito doces também sobrecarrega o organismo.
Qualquer pessoa com uma condição física que exige dieta precisa redobrar a atenção, porque as tentações no Natal são muito maiores. Por exemplo:
– Hipertensão e problemas cardiovasculares: é crucial evitar o excesso de sal, principalmente alimentos embutidos e industrializados, comuns nas entradas e nos petiscos, além de frituras, carnes gordurosas e com muitos temperos;
– Diabetes: é preciso um cuidado com o excesso de carboidratos simples, como pão, arroz e açúcares refinados, além das frutas secas e cristalizadas. Além disso, o álcool pode aumentar a pressão e a glicose no sangue. Devido ao excesso de comida, é comum ocorrer um aumento na glicemia em todas as pessoas, mas nos portadores de problemas metabólicos os riscos são maiores;
– Alergias e intolerâncias: geralmente estas pessoas já conhecem os alimentos que não devem consumir. Mas, se tiverem dúvidas, é importante que perguntem sobre os ingredientes dos pratos para aumentar a segurança e não correr risco de haver alguma reação do organismo;
– Problemas renais, como insuficiência renal, doenças inflamatórias e autoimunes: é preciso ficar estar atento aos alimentos que podem predispor uma piora da inflamação, como os ricos em gorduras saturadas, açúcar e sal. Ex.: como carnes, vísceras e lacticínios, além de álcool. O melhor é optar por carnes magras, frango, peixe, verduras e legumes, além de beber muita água;
– Problemas hepáticos, como hepatite ou cirrose: é fundamental não beber álcool e evitar os abusos.
– Gastrite, esofagite ou refluxo*: evitar o excesso de álcool, gordura e cafeína.
De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia, cerca de 20% da população mundial sofre de refluxo gastroesofágico, e no Brasil 50 milhões de pessoas lidam com o problema. Para essas pessoas, o Natal pode se tornar um pesadelo, mas como você vai seguir nossas dicas, não vai precisar passar por isso esse ano.
Sintomas de refluxo
Os sintomas típicos do refluxo incluem: azia, dor no peito, queimação, dor na boca do estômago, sensação de estufamento, enjoo, regurgitação, tosse, pigarro, garganta arranhando e má digestão. E a principal causa desse tipo de refluxo é a má alimentação, os abusos e os exageros. O uso indiscriminado de antiácidos em altas doses e por longos períodos pode mascarar o problema e sobrecarregar os rins e o fígado.
Confira alguns dos pratos e bebidas que, ao serem ingeridos, ativam o refluxo:
– Carnes gordurosas, como pernil, pato, pancetta (corte da barriga do porco) e cortes como costela e cupim
– Farofa recheada de bacon
– Maionese
– Bebidas alcoólicas e gaseificadas, como cerveja, espumantes e refrigerantes
– Nozes e castanhas (apesar de parecerem inofensivas, têm alto teor de gordura)
– Salpicão
– Sobremesas à base de chantilly e creme de leite
– Rabanada
– Panetone (parece neutro por conta da massa fermentada e das frutas cristalizadas, mas pode provocar estragos em quem sofre de refluxo)
“O refluxo ocorre quando o conteúdo gástrico, composto por alimentos sólidos, líquidos e ácidos, retorna do estômago para o esôfago, causando uma série de incômodos. Pacientes com refluxo severo – aquele que não é controlado nem com medicação – devem retirar esses pratos da ceia”, alerta o gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco.
Beber sucos de frutas pode piorar a azia por serem ácidos?
A acidez das frutas cítricas é menor do que a acidez de um refrigerante ou água com gás, já que o gás carbônico gera uma acidez maior. No entanto, a recomendação para que pessoas com gastrite, úlcera gástrica ou refluxo gastroesofágico é evitar o consumo frequente de frutas ácidas ou cítricas, como laranja, limão e acerola, pois pode haver uma piora nos sintomas. Neste caso, vale substituir por frutas não ácidas, como maçã, pera, banana e goiaba.
E o preparo dos alimentos? Siga as dicas a baixo:
– Escolha alimentos in natura, como vegetais e legumes, para enriquecer as receitas. Vale também sementes e grãos.
– Evite os alimentos processados e ultraprocessados, pois são ricos em gordura, sal, açúcar e têm poucos nutrientes.
– Modere no uso das gorduras, durante o preparo. Se possível, opte pelo azeite de oliva. Evite excesso de manteiga, creme de leite e queijos gordurosos.
– Controle a quantidade de sal e açúcar.
– Prefira cortes de carne mais magros e, se puder, substitua as congeladas e temperadas, por aquelas sem tempero. Assim é possível enriquecer o sabor com temperos naturais, de ervas, por exemplo.
– Nas saladas, vale trocar a versão de molhos prontos por caseiros.
– As entradas também podem ser saudáveis, incluindo legumes, patês à base de iogurte e até pipoca.
– É sempre melhor grelhar, cozinhar no vapor e assar, em vez de fritar.
– Use temperos naturais como ervas e limão.
Moderação sempre
Os especialistas em nutrição são unânimes: a moderação é a mensagem principal.
Ribas Filho explica que ir além de 2 mil calorias numa ceia não é difícil, se somarmos um cardápio rico em gorduras, açúcar e carboidratos e bebidas alcoólicas.
Uma outra dica que pode ser adotada antes da “comilança” é reduzir 350 calorias por semana e aumentar a quantidade de exercícios, o que também contribui para perder algumas gramas que serão ganhas, facilmente, nas ceias.
A Redação do Juruá24Horas agradece se você leu até aqui, e desejamos boas festas e um Feliz Natal para você, que é nosso leitor! Esperamos que esse Natal seja livre de empachamentos, azias ou refluxos.
Redação Juruá24horas






