Um estudo realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2024 revelou um cenário preocupante para as rodovias federais que cortam o Amazonas. Segundo o levantamento, 38,6% dos trechos foram classificados como ‘péssimos’, enquanto apenas 1% foi avaliado como ‘ótimo’. Trechos considerados ‘bons’ somam 3,9%, enquanto 21,7% foram classificados como ‘regulares’ e 34,8% como ‘ruins’.
Critérios de Avaliação
A pesquisa levou em consideração aspectos como:
- Pavimentação: Em diversos trechos, o desgaste da malha asfáltica foi evidente.
- Sinalização: Falta de placas e pintura nas vias.
- Geometria da via: Curvas perigosas sem sinalização adequada.
- Custos operacionais e de acidentes: Elevados devido às más condições.
O Amazonas apresentou o pior desempenho em todos esses critérios, destacando-se negativamente no cenário nacional.
Avaliação das Principais Rodovias
- BR-174 (ligação com Roraima): Classificada como ‘ruim’;
- BR-319 (ligação com Rondônia): Classificada como ‘ruim’;
- BR-317 (ligação com o Acre): Classificada como ‘regular’;
- BR-230 (Transamazônica): Classificada como ‘regular’.
Recursos e Investimentos
A CNT estimou que seriam necessários R$ 1,08 bilhão para ações emergenciais e de manutenção nas rodovias do Amazonas. Em contrapartida, o governo federal autorizou apenas R$ 38,5 milhões para a infraestrutura rodoviária no Estado em 2024, dos quais apenas 24,7% (R$ 9,52 milhões) foram investidos até outubro.
Pontos Críticos
Entre os problemas destacados pelo estudo, estão:
- 178 pontos críticos nas rodovias amazonenses;
- 5,8% dos trechos com pavimento totalmente destruído;
- 2,4% das estradas sem acostamento;
- 94,1% das curvas perigosas sem sinalização adequada.
Impacto Ambiental
As más condições das rodovias também geram impactos significativos no meio ambiente. Em 2024, o desperdício de combustível nas estradas brasileiras chegou a 1,184 bilhão de litros de diesel, resultando na emissão de 3,13 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (MtCO2e). Esse volume contribui diretamente para o agravamento do aquecimento global e seus efeitos desastrosos sobre a fauna, flora e vida humana.
Comparativo com a Região Norte
O estudo apontou que o Amazonas apresentou o pior desempenho entre os Estados da Região Norte. Confira os percentuais de trechos classificados como ‘péssimos’:
- Amazonas: 38,6%;
- Acre: 33,2%;
- Amapá: 20,1%;
- Roraima: 18,3%;
- Tocantins: 7,6%;
- Pará: 2,8%;
- Rondônia: 1%.
Custos Humanos e Econômicos
Em 2023, os acidentes nas rodovias do Amazonas geraram um prejuízo de R$ 24,38 milhões. No mesmo período, o governo federal gastou R$ 37,96 milhões em obras de infraestrutura rodoviária, um valor insuficiente diante da precariedade das estradas.







