Endividamento cresce no Acre e atinge quase 80% das famílias em fevereiro, aponta Fecomércio

O percentual representa uma alta em comparação a janeiro, contrariando a tendência nacional de queda no endividamento ao longo do último ano.

O número de famílias endividadas no Acre aumentou em fevereiro de 2025, atingindo 79,8% dos lares do estado, o equivalente a 93.699 famílias, segundo levantamento da Federação do Comércio do Estado do Acre (Fecomércio/AC), divulgado nesta quarta-feira (19). O percentual representa uma alta em comparação a janeiro, contrariando a tendência nacional de queda no endividamento ao longo do último ano.

Apesar do crescimento do endividamento, houve uma leve redução no número de famílias acreanas com contas em atraso, totalizando 41.149. Além disso, o número de lares que declararam não ter condições de pagar suas dívidas caiu para 12.978.

A pesquisa ainda revela que o maior impacto do endividamento ocorre entre famílias com renda de até três salários mínimos, enquanto aquelas que recebem entre três e cinco salários mínimos são as que mais enfrentam dificuldades para regularizar sua situação financeira.

O assessor da presidência da Fecomércio/AC, Egídio Garó, atribui a persistência da inadimplência às taxas de juros elevadas.

“A saída do inadimplemento torna-se um pouco mais longa e onerosa, tendo em vista a atualização de valores baseados nas taxas oficiais do País, que interferem no orçamento familiar e, consequentemente, no pagamento das dívidas em seu vencimento. Um grande vilão, tanto para as questões do endividamento quanto da inadimplência, continua sendo o cartão de crédito, notadamente o rotativo”, afirmou Garó.

No cenário nacional, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontou que 76,4% das famílias brasileiras iniciaram o mês endividadas, um leve aumento em relação a janeiro, quando o índice era de 76,1%. O estudo também mostra que 28,6% das famílias do país possuem contas em atraso, enquanto 12,3% afirmam que não terão condições de quitar suas dívidas nos próximos meses.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário econômico exige cautela.

“Os juros elevados e a seletividade do crédito fazem com que os consumidores procurem fazer menos dívidas e, como efeito adverso, aumentam sua percepção de endividamento. A leve melhora da inadimplência indica que houve um esforço nas casas brasileiras para equilibrar suas finanças, mas o comprometimento crescente da renda acende um sinal de alerta para a economia em 2025”, analisou Tadros.

Por Contilnet 

Foto: Produção 

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