Evento sobre Fibromialgia em Cruzeiro do Sul destaca luta por direitos e políticas públicas

Iniciativa reúne portadores da doença, autoridades e o Ministério Público para ampliar a visibilidade da causa.

Cruzeiro do Sul recebeu na terça-feira um evento importante para a conscientização sobre a fibromialgia. Organizado pela Associação dos Fibromiálgicos do Vale do Juruá (AFIVAJ), o encontro aconteceu no auditório do Ministério Público e teve como principal objetivo dar voz aos portadores da doença, além de buscar apoio para a implementação de políticas públicas voltadas a esse grupo.  

A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dores generalizadas, fadiga intensa e dificuldades cognitivas, impactando principalmente mulheres. Apesar de debilitante, a doença ainda é pouco compreendida pela sociedade, o que leva muitos pacientes a enfrentarem preconceito e falta de assistência adequada.  

“A Associação tem o papel tanto de acolher os portadores quanto de educar a sociedade sobre a realidade da fibromialgia. Mesmo sendo uma doença invisível, os sintomas são reais e precisam ser respeitados”, destacou Vângela Souza, presidente da AFIVAJ.  

O evento, chamado de “Dia da Escuta”, contou com a presença de autoridades políticas, representantes do Ministério Público e pacientes, que compartilharam suas experiências e dificuldades no acesso a tratamento adequado.  

“O Ministério Público atua como intermediador entre os fibromiálgicos e o poder público. Estamos aqui para ouvir suas demandas e cobrar soluções das autoridades responsáveis”, afirmou o promotor de Justiça André Pinho Simões.  

Entre os maiores desafios enfrentados pelos portadores da fibromialgia estão a falta de profissionais especializados e o difícil acesso a um tratamento multidisciplinar.  

“O tratamento exige acompanhamento com diversos especialistas, como psicólogos, nutricionistas e reumatologistas, mas a rede pública ainda não está preparada para atender essa demanda”, explicou Vângela Souza.  

Para Raimunda de Oliveira Mello, que convive com a fibromialgia há mais de uma década, a situação em Cruzeiro do Sul ainda é bastante precária.  

“Vivemos por Deus e contando com o apoio uns dos outros. Estamos engatinhando no assunto, mas a criação da Associação foi um passo importante. Agora, precisamos conquistar muito mais”, afirmou.   

Um dos principais objetivos do evento foi sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de políticas públicas específicas para os fibromiálgicos. Além disso, a Associação reforça a importância da identificação por meio do cordão girassol, que sinaliza doenças invisíveis e garante o reconhecimento e respeito aos portadores.  

Redação Jurua24horas

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