Uma equipe de professores e estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Acre (UFAC)
realizou uma expedição acadêmica à Serra do Divisor, uma das regiões mais ricas em biodiversidade do estado. A atividade prática teve duração de oito dias e envolveu quatro frentes de pesquisa: qualidade da água do Rio Moa, relação entre o rio e as comunidades locais, morfologia fluvial e adaptação às mudanças climáticas dos povos originários.
O professor Valdemir Santos, coordenador da atividade, destacou que a viagem proporcionou aos alunos a oportunidade de vivenciar na prática os conceitos teóricos aprendidos em sala de aula.
“Levamos os alunos para conhecerem a realidade da Serra do Divisor, aspectos ambientais, a geologia e geomorfologia da região, além da relação dos povos que ali vivem com o meio ambiente. Foi uma experiência fundamental para consolidar o aprendizado”, explicou.
A pesquisa contou com o apoio de professores de diferentes áreas, como Francisco Pinheiro, da História, e Cidia Furtado, da Biologia, reforçando o caráter multidisciplinar do estudo.
Uma das principais linhas de pesquisa da expedição foi a avaliação da qualidade da água do Rio Moa, conduzida pela professora Cidia Furtado, em parceria com a química Ludmila, da Unidade de Tecnologia de Alimentos.
“Coletamos amostras da nascente até a foz do rio para análise físico-química, verificando pH, oxigênio dissolvido, condutividade e outros parâmetros. Nosso objetivo é entender as condições da água e compará-las com a legislação ambiental vigente”, explicou Cidia.
O estudo busca criar uma série histórica para monitoramento das variações ao longo do tempo, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas. Uma nova expedição está prevista para agosto, durante a seca, para comparação dos dados.
Outro aspecto importante da expedição foi a investigação sobre os impactos das mudanças climáticas nos povos originários da região
, especialmente a etnia Nukini, que habita a Serra do Divisor.
“Fizemos visitas às aldeias, aplicamos questionários e ouvimos relatos sobre os desafios enfrentados com os eventos climáticos extremos, como secas severas. A partir disso, podemos entender melhor as adaptações necessárias para essas comunidades”, explicou o professor Valdemir Santos.
Para os estudantes, a viagem representou uma experiência única, tanto do ponto de vista acadêmico quanto pessoal. O acadêmico Márcio Silva destacou a importância de sair da teoria e vivenciar a prática:
“Na sala de aula, lidamos apenas com hipóteses. No campo, vemos a realidade, conhecemos as comunidades e entendemos os fenômenos de forma concreta. É um aprendizado que transforma.”
Já Bruno Oliveira, que participou pela primeira vez de uma viagem a regiãodoJuruá, ressaltou os desafios da expedição:
“Foi uma experiência nova e intensa. Enfrentamos longas viagens de ônibus e barco, caminhadas na Serra e até chuva no percurso. Mas tudo isso faz parte da formação de um geógrafo. No campo, aprendemos a observar e interpretar o ambiente de maneira autônoma.”
Os dados coletados serão analisados e publicados em artigos acadêmicos, podendo servir de base para futuras pesquisas e até influenciar políticas públicas relacionadas à conservação ambiental.
“Nosso objetivo é tornar esses dados acessíveis a órgãos como o Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), para que possam ser usados no monitoramento da qualidade da água e no planejamento ambiental da região”, afirmou Cidia Furtado.
A expectativa é que o estudo tenha continuidade nos próximos anos, criando um banco de dados sobre as transformações ambientais na bacia do Rio Moa e na Serra do Divisor.
Redação Jurua24horas






