Ansiedade e depressão foram maiores causas de afastamento de trabalhadores no Acre em 2024

As duas doenças somaram mais de 280 licenças médicas somente no ano passado. Brasil atingiu o maior índice de afastamentos por transtornos mentais dos últimos 10 anos.

Foto: Otávio Camargo | Arte g1 

Os quadros de ansiedade e depressão foram as maiores causas de afastamento de trabalhadores no Acre em 2024, somando mais de 280 casos. É o que mostra um levantamento exclusivofeito a pedido do g1 pelo Ministério da Previdência.

Ansiedade foi a doença que somou o maior número, com 164 licenças. Já a depressão teve 124 casos. Os dados contabilizam afastamentos e não trabalhadores, já que uma pessoa pode se afastar mais de uma vez, o que gera uma nova contagem.

Outra doença que provocou um grande número de afastamento de profissionais foi o transtorno bipolar, com 91 casos. Ao todo, o estado teve 519 afastamentos por conta de saúde mental no ano passado. 

Afastamentos por transtornos mentais no AC

DoençaAfastamentos
Ansiedade164
Depressão124
Transtorno bipolar91
Depressão recorrente57
Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação21
Vício em drogas16
Esquizofrenia14
Psicose12
Transtornos mentais causados por lesões cerebrais ou físicas10
Transtornos de personalidade10

O levantamento indicou que o Brasil teve o maior índice de afastamento por transtornos mentais dos últimos 10 anos, o que segundo psiquiatras e psicólogos, é reflexo da situação do mercado de trabalho e das cicatrizes da pandemia, entre outros pontos. 

Carga de cobrança e pressão

O mundo cada vez mais globalizado e a necessidade cada vez maior de informações instantâneas tem criado um excesso de cobranças e pressões nos ambientes de trabalho. 

A avaliação é do psicólogo acreano Arife Calacina, que destaca que esse ambiente pode potencializar os possíveis sinais de ansiedade e depressão. 

“O ambiente de trabalho, em vários setores da economia, se tornou bastante estressante, o que, inclusive prejudica a qualidade das relações interpessoais, algo que poderia funcionar como ponto de alívio, mas que, na prática, não funciona muito bem, porque a concorrência está presente tanto fora quanto dentro daquele ambiente”, avalia. 

Além do contexto histórico mais amplo, o especialista também considera que a pandemia de Covid-19 e o consequente isolamento social também desequilibraram as relações entre trabalho e vida social. 

Mesmo após pandemia, essas relações ainda não foram reorganizadas e os reflexos ainda são sentidos. 

“A dificuldade em rearranjar essas estruturas, na tentativa de destinar tempo adequado para cada função, se tornou frustrante e ainda mais estressante. Além disso, processos de adoecimento psíquico que estavam meio ocultos acabaram por eclodir em meio a uma experiência tão angustiante”, acrescenta. 

O psicólogo também sugere os pontos de atenção que trabalhadores devem observar para perceber sinais de transtornos emocionais e a relação com o trabalho. O primeiro passo, ressalta, é o autoconhecimento. “É simples, mas não é fácil, porque um processo essencial para a vida humana não é trabalhado: o autoconhecimento. É um conceito que, convenhamos, já se tornou clichê, nos dias atuais, contudo é tarefa essencial, porque se nos conhecermos, verdadeiramente, perceberemos, toda e qualquer alteração de ordem cognitiva, emocional e fisiológica”, explica.

O conhecimento de si mesmo pode evitar exposição a alterações que poderiam passar despercebidas e que se agravam com o tempo. 

“Alterações de humor, de forma, constante, rotineira e persistente, a exemplo da sensação de tristeza que demora mais de duas semanas, a sensação de ansiedade, aquele ‘aperto no peito’, com dificuldade para respirar, que acontece muitas vezes ao dia, por várias semanas, etc. São sinais importantes, dentre outros, para se buscar ajuda”, recomenda.

Por G1 

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