Remédios como Ozempic devem crescer nas farmácias com queda de preço; mulheres são maioria dos clientes

Por idade, os adultos com 40 a 49 anos representam 35%, seguidos pela faixa etária de 50 a 59 anos (24%).

Foto: Karime Xaier/ folhapress

A procura pelos novos medicamentos usados para emagrecer, como Ozempic e Wegovy, acelerou, e esses produtos ultrapassaram os 10% de participação no faturamento das maiores redes de farmácias, segundo monitoramento dos dados de março realizado nos pontos de venda.

Chamados de agonistas de GLP-1, os remédios registravam cerca de 6% de participação nas vendas no mesmo mês do ano passado, segundo levantamento da empresa de pesquisa de mercado Varejo 360, realizado no estado de São Paulo.

Na comparação com março de 2023, essa participação ficava abaixo de 4,5%, ainda conforme o monitoramento que abrange apenas as redes ligadas à Abrafarma, associação do setor que reúne os maiores varejistas, como Grupo DPSP, Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel.

Para Fernando Faro, diretor da Varejo 360, a expectativa é de uma aceleração ainda maior nas vendas depois da expiração das patentes, que vai atrair as fabricantes de genéricos mais baratos.

“Que esses medicamentos vão baratear, isso é uma certeza. Deve cair ainda mais com a chegada dos genéricos. A quantidade de pessoas que vão consumir esses produtos pode dobrar quando eles ficarem mais acessíveis”, diz ele.

A patente do Ozempic se encerra em 2026 no Brasil, mas a Novo Nordisk tenta postergar o prazo pedindo compensação pelo atraso de 13 anos no registro. Entre as farmacêuticas que devem entrar no mercado de genéricos da semaglutida (princípio ativo do Ozempic) estão EMS, Biomm e Hypera.

No início de junho, a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic, anunciou uma redução de até 19,6% no preço dos produtos.

O tíquete médio ainda alto desses produtos impulsiona o aumento da participação no faturamento. A evolução das vendas no estado saltou de R$ 509 milhões de janeiro a maio de 2024 para quase R$ 960 milhões no mesmo período neste ano.

E a demanda segue forte a despeito dos preços do tratamento: em maio, a unidade de Wegovy foi comercializada, em média, por R$ 1.687,34 no estado, e o Ozempic, por R$ 1.299,70, segundo a pesquisa.

A classes A e B, juntas, representam 77% dos compradores. Na segmentação por gênero, as mulheres são maioria com 70%. Por idade, os adultos com 40 a 49 anos representam 35%, seguidos pela faixa etária de 50 a 59 anos (24%).

O levantamento não incluiu o preço médio do concorrente Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, que começou a ser vendido nas farmácias no Brasil em maio com preços em torno de R$ 1.400 a R$ 2.300.

Por São Paulo 

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