Mais de 8 mil pessoas passaram pelo Festival Atsa Puyanawa em Mâncio Lima 

A renda gerada diretamente nas malocas contribuiu para o fortalecimento da autonomia das famílias indígenas, valorizando os saberes tradicionais e promovendo o empreendedorismo local.

A 7ª Edição do Festival Atsa Puyanawa, realizada entre os dias 18 e 23 de julho na Terra Indígena Puyanawa, chegou ao fim com um saldo extremamente positivo: mais de 08 mil pessoas prestigiaram a celebração que homenageia a macaxeira — símbolo de sustento, tradição e espiritualidade para o povo Puyanawa. Ao longo de seis dias de festa, a programação exaltou as raízes culturais por meio de rituais, danças, gastronomia típica, uso de plantas medicinais, brincadeiras tradicionais e muita caiçuma. A mandioca, ou “atsa”, foi o fio condutor das atividades, reforçando seu papel como base alimentar e econômica da comunidade.

O prefeito Zé Luiz destacou a importância do festival para o fortalecimento do etnoturismo e para a inclusão da cidade no cenário nacional de eventos culturais: “Quero agradecer a cada visitante, aos nossos parceiros e, em especial, ao povo Puyanawa, por mais uma edição desse festival que já é um marco. O Atsa mostra ao Brasil e ao mundo a riqueza da nossa cultura indígena e coloca Mâncio Lima no circuito nacional do turismo, especialmente do etnoturismo, que é um segmento forte e muito importante em nossa cidade. Reafirmamos nosso compromisso com as populações tradicionais e com o desenvolvimento sustentável baseado no respeito às nossas raízes”, afirmou o gestor.

Dois circuitos esportivos tradicionais marcaram o evento: o Ewete Pindu (Ninho do Beija-flor), com provas como raspagem de macaxeira, canoagem, pescaria com manga e armar e desarmar rede; e o Karikari Iãta, com corrida de toras de madeira, arremesso de lança, corrida do sapo (puya), arco e flecha, além da aguardada “luta de sapo”, que empolgou o público. A Casa de Pinturas foi um dos espaços mais visitados do festival, realizando mais de 2 mil pinturas corporais com grafismos inspirados na fauna e na simbologia Puyanawa — como a jiboia (força e resistência), o beija-flor (beleza) e o jabuti (proteção).

Durante o encerramento, o cacique Joel Puyanawa celebrou o sucesso do festival, destacando o evento como um espaço de afirmação dos direitos indígenas, fomento ao etnoturismo e diálogo com o poder público. “Como cacique desse povo me sinto feliz por esse festival ter alcançado as expectativas. Em média, oito mil pessoas passaram por aqui, entre visitantes, turistas estrangeiros, autoridades e apreciadores. Nosso espaço é mais que uma vitrine cultural — é um território de resistência, de parcerias e integração”, declarou.

O belga Laurent Van Eesbeeck, visitante assíduo do festival, reforçou o espírito de acolhimento do povo Puyanawa: “Já é minha quinta vez aqui. Cada edição é uma experiência nova, uma renovação do espírito e da alma. Aqui é família”, disse.

Presente no encerramento, o governador Gladson Cameli enalteceu o festival como um marco no calendário cultural do Acre. “Cuidar dos povos originários é cuidar das pessoas. Nosso governo reafirma o compromisso com a cultura indígena, e estar aqui é motivo de alegria e honra”, afirmou.

Com dança, espiritualidade, tradições e fortalecimento econômico, o Festival Atsa Puyanawa reafirma seu papel como uma das mais importantes celebrações etnoculturais da Amazônia, elevando a macaxeira como símbolo da vida, da fartura e da resistência de um povo orgulhoso de sua história e cultura.

Além de fortalecer a cultura e a identidade do povo Puyanawa, a 7ª edição do Festival Atsa também impulsionou significativamente a economia local. Somente nas malocas montadas para comercialização de comidas típicas, bebidas tradicionais e artesanato indígena, a movimentação financeira ultrapassou os R$ 90 mil durante os seis dias de evento.

A renda gerada diretamente nas malocas contribuiu para o fortalecimento da autonomia das famílias indígenas, valorizando os saberes tradicionais e promovendo o empreendedorismo local. O festival mostrou que cultura e economia caminham juntas, gerando oportunidades, renda e orgulho para as populações tradicionais.

Por Ac24horas 

Veja também

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) alerta para a interdição total da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282,65 da BR-364/AC, em Sena Madureira, a partir desta

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Obras, realiza nesta quarta-feira, 3, os serviços de infraestrutura, limpeza urbana e recuperação de vias em diferentes regiões

Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, o Acre registrou 2.521 nascimentos sem a identificação do pai na certidão de nascimento. Os dados, divulgados pela Defensoria Pública do Estado

Um telão será instalado no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho, pela prefeitura de Cruzeiro do Sul, para que os torcedores possam acompanhar todas as partidas do Brasil na Copa

A Ordem dos Advogados do Brasil no Acre divulgou a lista de candidatos aprovados na primeira fase do 46º Exame de Ordem Unificado. Os nomes dos aprovados foram publicados após

O Acre apresentou crescimento de 36,8% no número de beneficiários de planos de saúde nos últimos 12 meses, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O avanço foi

O motorista envolvido no atropelamento que vitimou um idoso de 68 anos em Cruzeiro do Sul se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e deverá responder por homicídio culposo no trânsito.

Um vídeo que mostra uma abordagem policial a um homem no município de Guajará, no Amazonas, tem gerado grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias. As imagens registram o

Não existem mais publicações para exibir.