Com o objetivo de fortalecer a gestão participativa e garantir a preservação ambiental aliada ao modo de vida das populações tradicionais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realiza ao longo desta semana, na região do Juruá, uma oficina para a construção do Plano de Manejo da Reserva Extrativista Alto Juruá (RESEX).
A atividade reúne representantes do ICMBio, prefeitura de Marechal Thaumaturgo, OPIRJ, Incra, Funai, Exército e, principalmente, os moradores da reserva, entre extrativistas e indígenas que convivem e dependem diretamente do território para sobreviver.
De acordo com Mosart Vasconcelos Pessoa, analista ambiental e chefe da RESEX Alto Juruá, o plano de manejo é o documento gestor da unidade. “Ele é o que vai nortear toda a gestão do território, tanto pelas instituições públicas quanto pelas comunidades. Embora o ICMBio seja a autarquia responsável, quem realmente conhece e vive esse território são os moradores tradicionais. Por isso, eles são parte essencial na construção desse plano”, explicou.

Mosart lembra que a Reserva Extrativista Alto Juruá cobre cerca de 74% do território do município de Marechal Thaumaturgo e abriga mais de 2.500 famílias, segundo o último levantamento. “Esse trabalho é essencial para garantir o direito das futuras gerações. Os moradores querem não só preservar, mas fazer parte da gestão, construindo o plano com sentimento de pertencimento”, disse.
O presidente da Reserva Extrativista Alto Juruá , Orleir Moreira, reforça que esse é um momento histórico. “A RESEX do Alto Juruá foi criada em 1990 e até hoje não tem o seu plano de manejo oficializado. É esse documento que vai assegurar, de fato, o nosso modo de vida e a permanência das famílias no território com segurança jurídica e ambiental”, afirmou.

Orleir destaca que a principal defesa dos moradores é pela manutenção do território e respeito às tradições. “Estamos vivendo um período de incertezas em relação às políticas ambientais e ao licenciamento, que afetam diretamente nosso modo de vida. Queremos garantir o extrativismo, a agricultura familiar e a cultura dos nossos ancestrais”, pontuou.
A base econômica das comunidades dentro da reserva é sustentada por agricultura familiar, pesca e extrativismo de subsistência, como a coleta de castanha, açaí e borracha. O plano de manejo irá definir as regras para o uso sustentável desses recursos, protegendo o meio ambiente e garantindo renda às famílias.
A previsão é que a oficina seja concluída até esta sexta-feira, 01, com a consolidação das propostas apresentadas por moradores e instituições. O documento final servirá como referência para ações futuras dentro da unidade de conservação, respeitando o equilíbrio entre preservação ambiental e dignidade das populações tradicionais.
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