Foi realizada em Cruzeiro do Sul, nesta quinta-feira, 24, uma capacitação histórica para profissionais da saúde indígena que atuam na região. A atividade, que teve início na quarta-feira, reuniu equipes do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com foco no atendimento a povos indígenas isolados e de recente contato.
A formação é coordenada pelo chefe do Serviço de Localização de Povos Indígenas Isolados da Funai, Marcelo Torres, que destacou o caráter emblemático da oficina. “Esses povos não mantêm relação com a sociedade e vivem afastados dos grandes centros. Eles exigem uma atenção diferenciada e respeitosa com suas estratégias de isolamento. A oficina prepara os profissionais para situações eventuais de contato, sempre com base na proteção e no respeito à autonomia desses povos”, explicou.

Marcelo relembrou que a política pública de não-contato foi instituída pela Funai em 1987, como forma de garantir os direitos desses povos que vivem isolados por escolha, devido a um histórico de violências. “A participação de representantes dos Yura, povo de recente contato, é um marco. Eles compartilharam os desafios enfrentados desde que fizeram contato em 2014. Doenças comuns para nós, como gripe, podem ser fatais para eles. Por isso, o preparo dos profissionais é essencial”, completou.
Para o coordenador do DSEI Alto Rio Juruá, Isaac Pyãko, o momento é um divisor de águas na saúde indígena da região. “Estamos capacitando psicólogos, enfermeiros, médicos, técnicos e assistentes sociais para que saibam como lidar com os povos de recente contato. É necessário que conheçam a língua, os costumes e também os aspectos jurídicos e administrativos. O objetivo é garantir um atendimento humanizado, culturalmente sensível e preparado para os desafios desse tipo de atuação”, afirmou.

A capacitação também envolveu discussões sobre a importância da comunicação e do aprendizado da língua indígena como forma de aprofundar o diálogo nas situações de atendimento à saúde.
A atividade foi promovida em articulação com a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai e com apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), marcando um passo importante para a qualificação do atendimento e a proteção dos direitos dos povos originários no estado do Acre.

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