Acre registra redução de 60% nas queimadas até julho, mas especialistas alertam para período crítico em setembro e outubro

A recomendação é que órgãos federais, estaduais e municipais atualizem e executem planos de contingência, fortaleçam o monitoramento climático e adotem medidas de proteção das florestas

Dados do projeto AcreQueimadas, da Universidade Federal do Acre (UFAC), coordenado pela professora doutora Sonaira Silva, indicam que, até 31 de julho de 2025, foram identificados 6.450 hectares de áreas queimadas no estado. O número representa uma redução de cerca de 60% em relação ao mesmo período de 2024.

Segundo o levantamento, todos os municípios acreanos, com exceção de Assis Brasil, registraram diminuição na área atingida pelo fogo no mês de julho em comparação ao ano anterior. As cidades com maior incidência foram Rio Branco, responsável por 24% das queimadas, seguida por Tarauacá, Feijó, Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves.

O estudo revela que 79% dos focos de incêndio ocorreram em áreas agropecuárias já consolidadas. Apesar da queda nos índices, pesquisadores alertam que o período mais crítico ainda está por vir, com maior risco de queimadas nos meses de setembro e outubro, mesmo em anos sem seca extrema. Em situações severas, o Acre já registrou mais de 150 mil hectares queimados.

O alerta emitido por pesquisadores da Iniciativa Trinacional MAP (Madre de Dios – Peru, Acre – Brasil e Pando – Bolívia) reforça que a combinação de temperaturas elevadas, prolongamento da estação seca e perda de cobertura florestal aumenta o risco de incêndios e eleva os níveis de poluição do ar. Em setembro de 2024, por exemplo, a concentração de material particulado fino (PM2.5) em Rio Branco chegou a quase 100 microgramas por metro cúbico, valor mais de seis vezes acima do limite diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

O relatório também destaca que parte da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Acre está inoperante, o que compromete a coleta e a confiabilidade dos dados. Pesquisadores defendem investimentos públicos e privados para manutenção e ampliação dessa infraestrutura, considerada essencial para subsidiar ações de prevenção e resposta a desastres ambientais.

A recomendação é que órgãos federais, estaduais e municipais atualizem e executem planos de contingência, fortaleçam o monitoramento climático e adotem medidas de proteção das florestas, especialmente em áreas indígenas e unidades de conservação.


jurua24horas

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