Acre registrou quatro conflitos em terras indígenas em 2024, diz relatório do Cimi

Um deles ocorreu na terra Campinas, onde vive o povo Katukina, e envolveu a construção da linha de transmissão de energia entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, que atravessa

O Acre registrou, no ano passado, quatro conflitos em terras indígenas, diz relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgado nesta segunda-feira, 28.

Um deles ocorreu na terra Campinas, onde vive o povo Katukina, e envolveu a construção da linha de transmissão de energia entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, que atravessa o território.

“Os Katukina denunciam irregularidades, incluindo a derrubada de 100 árvores de samaúma, considerada sagrada pelo povo”, descreve o relatório.

O ponto máximo da tensão ocorreu em março daquele ano, quando uma comitiva do Ministério Público Federal (MPF), Ibama e Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) foi até o local e acabou impedida de deixar o território até que soluções fossem apresentadas.

No mês seguinte, após mediação do MPF, os empresários concordaram com a assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAC) e as obras foram retomadas.

Presença de narcotraficantes

Outro conflito que ganhou destaque no estudo ocorreu na terra indígena Kaxinawá do Baixo Rio Jordão, onde o povo Huni Kui denunciou a presença de narcotraficantes que estariam ameaçando lideranças comunitárias.

Os criminosos, ligados a facções, teriam usado o território como rota de tráfico. Na época, os indígenas chegaram a pedir ajuda urgente à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

“O problema está gerando também a disseminação e consumo de drogas, que está se estendendo dentro das comunidades e alguns membros estão inclusive entrando nas facções”, diz o Cimi.

O relato do filho de um cacique, que não teve o nome divulgado pelo estudo, mostra a dimensão do episódio:

“Entraram umas facções fortes, está sem controle, muita gente levando drogas à noite, ameaçando. Os parentes, tanto na droga quanto no alcoolismo, perdidos. Estamos tendo invasões na terra indígena, já foi morto meu sobrinho por causa de droga”.

Os outros dois conflitos registrados no relatório foram na terra indígena Kaxinawá do Seringal Curralinho e envolveram caça ilegal, ameaças, danos ao meio ambiente e desmatamento.

Por A Gazeta do Acre 

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