Neste domingo, 28 de setembro, a “Princesinha do Juruá” completa 121 anos de fundação, uma data que evoca não apenas o nascimento oficial de uma das cidades mais charmosas do Acre, mas também sua conexão profunda com a história do Brasil. Fundada em 1904, Cruzeiro do Sul surge como um marco de planejamento urbano na Amazônia, inspirada na Lei do Ventre Livre de 1871, promulgada exatamente em 28 de setembro – um gesto simbólico que reflete os ideais de liberdade e progresso que moldaram sua trajetória.
A história da cidade remonta aos povos indígenas Náuas, que habitavam as margens do Rio Juruá antes das expedições exploratórias do século XIX. Com a chegada de imigrantes nordestinos fugindo das secas no final do século XIX, o extrativismo da borracha impulsionou o crescimento da região. Em 1903, o Acre foi dividido em departamentos, e um ano depois, por decreto do Coronel Thaumaturgo, a sede do Departamento do Alto Juruá foi transferida para o Seringal Centro Brasileiro, à margem esquerda do rio. Ali, em meio a colinas que protegiam das cheias periódicas, nasceu Cruzeiro do Sul – uma das poucas cidades amazônicas planejadas desde o início, com ruas organizadas e um nome inspirado na constelação do Cruzeiro do Sul, guia para navegadores e exploradores.

Hoje, com uma população estimada em cerca de 92 mil habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE, Cruzeiro do Sul é o segundo maior município do Acre e um polo econômico vital para o estado. Sua economia, outrora ancorada na borracha, evoluiu para o agronegócio, a exploração sustentável de madeira e, especialmente, a produção de farinha de mandioca – um produto icônico que conquistou o selo de Indicação Geográfica do Inpi e é celebrado anualmente no Festival da Farinha. A cidade abriga mais de 4.800 empresas e contribui significativamente para o PIB acreano, equilibrando tradição e modernidade em um cenário de belezas naturais preservadas.
As atrações turísticas reforçam o encanto da “Terra dos Náuas”. A Catedral de Nossa Senhora da Glória, erguida em 1957 com arquitetura de influência germânica, é um ícone central, enquanto o Igarapé Preto oferece praias de águas límpidas e areias claras, ideais para quem busca o frescor amazônico. O Instituto Santa Terezinha, com sua estrutura colonial, remete à educação pioneira da região, e o Rio Croa, com suas águas pretas, tem se tornado um point para turistas e locais, impulsionado por investimentos recentes do governo estadual.

Para marcar os 121 anos, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul, sob o comando do prefeito Zequinha Lima, preparou uma programação extensa e diversificada, que começou na semana passada e culmina neste domingo. Entre as novidades, destacam-se seis inaugurações estratégicas: o Mercado da Vila Santa Luzia, o Mercado do Remanso, a nova Rodoviária na Estrada da Variante (inaugurada ontem, 27), a reinauguração da Vila Olímpica e do Estádio O Cruzeirão – este último após ampla reforma com cobertura de arquibancadas e melhorias no gramado –, além da nova sede do Serviço de Convivência. Na educação, foram reinauguradas as escolas de tempo integral Terezinha Saavedra, no bairro Saboeiro, e Rita de Cássia, no Cruzeirão, ampliando o acesso a um ensino mais integral e fortalecendo a permanência dos alunos.
O esporte ganhou protagonismo com a Super Copa das Vilas, aberta pelo prefeito no Estádio O Cruzeirão, reunindo equipes locais até o dia 26, e o Copão do Vale do Juruá, que inicia na segunda-feira com seleções de municípios vizinhos como Mâncio Lima e Tarauacá. No sábado (27), a adrenalina veio com a Prova de Três Tambores, um evento equestre gratuito no Rancho Duas Baias, com premiações de R$ 300 a R$ 3 mil, em parceria com a Comissão de Três Tambores do Vale do Juruá.
A agenda política e cultural também brilhou. Na sexta-feira (26), a cidade sediou a Assembleia da Associação dos Municípios do Acre (Amac), no auditório do Sesc, discutindo temas como regularização fundiária e recursos da Funasa para políticas públicas, com a presença do presidente Tião Bocalom. À noite de sábado, o Teatro dos Nauas – construído pelo ex-governador Orleir Cameli em 1998 – foi palco do lançamento do livro “Orleir Cameli, Um Homem à Frente de Seu Tempo”, escrito pela ex-primeira-dama Beatriz Cameli. A obra resgata a vida do líder local, destacando pavimentações, aberturas de rodovias como a BR-364 e programas sociais inovadores, como a doação de vacas leiteiras e bicicletas a estudantes.

O ápice das comemorações ocorre neste domingo, com uma corrida de rua organizada pelo grupo Amigos da Saúde, em parceria com o Banco Sicoob – que inclui um passeio ciclístico com mais de 100 participantes –, e o grandioso Desfile Cívico-Militar na Praça Orleir Cameli, em frente à Catedral de Nossa Senhora da Glória, a partir das 17h. O governador Gladson Cameli confirmou presença na solenidade, reforçando o compromisso do estado com o desenvolvimento da região.
“Esses 121 anos são um testemunho da força do nosso povo, que transformou seringais em uma cidade pulsante de cultura e oportunidades”, afirmou o prefeito Zequinha Lima. “Estamos investindo em infraestrutura, educação e lazer para que Cruzeiro do Sul continue sendo o coração do Vale do Juruá, olhando para o futuro sem esquecer suas raízes indígenas e seringueiras.”
Enquanto as ladeiras charmosas da cidade ecoam com tambores e risos, Cruzeiro do Sul reafirma seu lugar como berço de tradições amazônicas e portal para a biodiversidade do Acre. Parabéns aos cruzeirenses por mais um ciclo de conquistas – que os próximos anos tragam ainda mais prosperidade à Princesinha do Juruá!











