Produção de melancia no Vale do Juruá enfrenta queda e pode gerar escassez no mercado

Praga compromete roçados no Vale do Juruá e produção depende das chamadas melancias de praia, cultivadas em menor escala.

A safra de melancia no Vale do Juruá, que tradicionalmente ocorre entre os meses de agosto e dezembro, começou este ano com expectativa de menor oferta. Uma praga atingiu parte dos roçados da região, comprometendo a produção que costuma abastecer os consumidores durante o período.

Com isso, o mercado tem sido suprido principalmente pelas chamadas melancias de praia, cultivadas em menor escala. Segundo José Maicon de Alencar, comerciante que atua na marretagem desde os sete anos ao lado do pai, a preocupação é de que a fruta possa faltar.

“Agora só está chegando melancia de praia, que dá em menor quantidade. A previsão é que possa faltar melancia, mas isso depende também de quantos produtores estão plantando”, explicou.

Apesar da possibilidade de redução na oferta, os preços permanecem estáveis, variando de R$ 10 a R$ 40, conforme o tamanho da fruta. “É o mesmo valor do ano passado. Quem tem 10 reais leva, quem tem 15 também leva. A gente vende de acordo com o tamanho, de 10 até 40 reais”, disse o comerciante.

Ele lembra que, embora as sementes de fora permitam colher melancias em diferentes épocas do ano, a safra tradicional ainda é a mais aguardada. “Hoje tem melancia com 64 a 80 dias que já está pronta para colher, mas o certo mesmo é de agosto em diante”, destacou.

Quanto ao consumo, a preferência do público é dividida. “Tem cliente que gosta da melancia de praia, outros preferem a do roçado. Pra mim é uma coisa só, porque todas são doces, mas aí vai de gosto do cliente”, afirmou José.

Para quem vive da marretagem, esse é um dos períodos mais importantes. “A melancia, junto com a laranja e o abacaxi, são as frutas que ajudam a gente a levantar um bom capital. Se souber comprar, dá para ganhar um dinheiro bom”, completou.

Após a colheita, a melancia pode ser armazenada por até duas semanas sem perder a qualidade. “Depois desse tempo, ela começa a soltar o miolo e perde o sabor”, alertou o comerciante.

Redação Juruá24horas

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