Mortos passam de 100 em operação no RJ após moradores recuperarem 54 corpos

Entre os mortos, segundo a polícia, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.

Arquivo pessoal: Bruno Itan

Cinquenta e quatro corpos foram levados para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, entre a noite de ontem e a manhã de hoje, um dia após a operação mais letal da história do Rio de Janeiro.

O que aconteceu

Corpos não estão na contagem oficial dos 64 mortos confirmados pelo governo do Rio ontem. A informação de que os corpos não fazem parte da contagem oficial foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar do Rio à TV Globo na manhã de hoje. Ele disse, porém, que não é possível até o momento confirmar que as mortes têm ligação com a operação.

Eles foram retirados de uma área de mata e levados por moradores até a praça. Equipes da Defesa Civil estão no local para auxiliar na retirada dos corpos. O UOL entrou em contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro e aguarda retorno sobre o assunto.

Mortos estão com marcas de tiros na nuca e marcas de facadas, afirmou testemunha. Ao UOL, o comunicador Raul Santiago afirmou que a quantidade de corpos divulgados pelo governo está subnotificada.

IML foi fechado para receber somente os corpos das vítimas da operação hoje. Segundo a PCERJ, todos os outros corpos que precisarem passar por necropsia no Rio serão levados para o IML de Niterói.

Operação mais letal da história

Uma megaoperação ontem prendeu mais de 80 suspeitos de integrar o CV e resultou na morte de ao menos 64 pessoas. Com isso, se tornou a ação policial mais letal da história do estado fluminense.

Outras nove pessoas foram baleadas: três moradores e seis agentes, quatro civis e dois militares. Entre os mortos, segundo a polícia, estão lideranças da facção em outros estados que estavam refugiados na região.

Número de mortos na Operação Contenção superou o da ação policial na favela do Jacarezinho, em 2021. Em 6 de maio daquele ano, a incursão na comunidade da zona norte do Rio terminou com 28 pessoas mortas e se tornou a mais letal do estado até então.

Ação mobilizou 2.500 agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em localidades da capital fluminense. A ação é resultado de um ano de investigação envolvendo, também, o Ministério Público do Rio de Janeiro e busca desarticular lideranças do CV.

Polícia prendeu Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão do Quitungo”, homem de confiança de Doca, um dos líderes do CV nas ruas. Ao todo, 81 pessoas foram presas até o momento — incluindo lideranças da facção de outros estados. Pelo menos 75 fuzis e rádios comunicadores também foram levados pelos agentes, segundo divulgado pelo governo fluminense. Mais de 200 kg de drogas foram apreendidas, de acordo com a polícia.

Por UOL 

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