Pastor acusado de matar ex-esposa a golpes de terçado vai a júri popular no Acre

Com a decisão judicial, o caso segue agora para julgamento pelo Tribunal do Júri, em data a ser definida pela Vara Criminal de Capixaba.

O pastor Natalino do Nascimento Santiago, acusado de assassinar a ex-esposa Auriscléia Lima do Nascimento, de 25 anos, com golpes de terçado, será julgado pelo Tribunal do Júri no Acre. A decisão de pronúncia, assinada pelo juiz Bruno Perrotta de Menezes, da Vara Única – Criminal da Comarca de Capixaba, foi publicada nessa terça-feira, 21.

De acordo com a decisão, Natalino foi pronunciado pelos crimes de feminicídio – por razões de gênero, com emprego de meio cruel e na presença do filho menor – e tentativa de homicídio contra o próprio filho, de 14 anos.

Além disso, o juiz decidiu pela desclassificação do crime de tentativa de homicídio para lesão corporal contra o cunhado da vítima, Alan Lima do Nascimento. Este último crime continuará sendo apreciado pelo júri em razão da conexão com os demais delitos.

O magistrado destacou que a decisão visa garantir a ordem pública e a integridade física e psicológica das vítimas sobreviventes.

Relembre crime

O feminicídio ocorreu na manhã de 11 de junho deste ano, no Assentamento Campo Alegre, zona rural de Capixaba, após uma discussão motivada por ciúmes e disputa da guarda do filho do casal.

Armado com um terçado, Natalino atacou Auriscléia, desferindo vários golpes na frente do menino, que tentou defender a mãe e acabou ferido na cabeça.

Durante o ataque, o cunhado da vítima tentou intervir e também foi atingido pelo agressor. Auriscléia não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Natalino fugiu logo após o crime e foi capturado quatro dias depois, escondido em uma área de mata. Em depoimento, confessou o assassinato, alegando “ciúmes” e “disputa pela guarda do filho”.

Histórico de violência

O acusado já possuía extenso histórico criminal. Ele foi condenado pela morte de Silene de Oliveira, em 2000, em Senador Guiomard, crime cometido na frente dos filhos pequenos da vítima. Segundo familiares, Natalino teria, inclusive, abusado sexualmente do corpo da mulher após o homicídio.

Em 2011, foi investigado por outro assassinato, ocorrido no bairro Palheiral, em Rio Branco. Apesar das condenações que somavam mais de 35 anos de prisão, ele obteve progressão de regime, descumpriu as regras e se tornou foragido da Justiça.

Durante o período em que esteve foragido, passou a viver em Capixaba, onde se apresentava como líder religioso. Nessa condição, conheceu Auriscléia, com quem se relacionou por alguns anos.

Com a decisão judicial, o caso segue agora para julgamento pelo Tribunal do Júri, em data a ser definida pela Vara Criminal de Capixaba. Natalino permanece preso à disposição da Justiça.

Por A Gazeta do Acre 

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