Acre tem mais de 500 pessoas vivendo em situação de rua, revela estudo

Destas, mais de 400 são da capital. Ainda segundo o estudo, tanto Acre quanto Rio Branco ficam na 25ª colocação em cenário nacional, à frente de Tocantins e Amapá e

O Acre tinha 557 pessoas vivendo em situação de rua até o mês de outubro deste ano segundo um estudo produzido pelo programa Polos de Cidadania, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O levantamento mostra que a capital Rio Branco abriga 481 destes moradores.

Ainda segundo o estudo, tanto estado quanto capital ficam na 25ª colocação em cenário nacional quanto ao total de moradores em situação de rua, à frente de Tocantins e Amapá e suas capitais.

Esse é o maior índice atingido pelo Acre desde início do levantamento, em 2018. Naquele ano, cerca de 182 pessoas viviam na ruas. Com isso, o numero representa um aumento de 32,6%.

Ainda segundo a análise, o ano em que o estado teve o menor número foi 2021, mesmo em meio à pandemia da covid-19. Contudo, o número vem crescendo desde então. (Confira o gráfico abaixo)

Fonte: Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG)

Impasse do Centro POP

Morador em situação de Rua - Rio Branco, Acre — Foto: Victor Lebre/g1

Morador em situação de Rua – Rio Branco, Acre — Foto: Victor Lebre/g1

Em abril deste ano, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) de Rio Branco iniciou os estudos para mudar o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), que funcionava no Centro da capital acreana, para outro endereço.

Conforme a pasta, a troca de endereço era necessária porque a estrutura do prédio não conseguia mais fazer os atendimentos, além das constantes reclamações de comerciantes sobre vandalismo e furtos na região.

A Sasdh afirmou fazer estudos para avaliar para onde o espaço deveria ser transferido. Um dos locais era a região da Baixada da Sobral. O secretário João Marcos Luz ainda citou que a mudança poderia ser feita para a região do Bosque, Floresta ou Castelo Branco.

O local foi definido e um contrato de aluguel de R$ 6,2 mil mensais foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) de terça-feira (20), porém, sem revelar o local. A mudança iniciou ainda na terça e o novo endereço fica na Rua Bola Preta, N.º 105, Conjunto Castelo Branco.

Ainda na fase de estudos, quando a prefeitura evitava confirmar o novo endereço, os moradores da Baixada da Sobral começaram a manifestar insatisfação com a possibilidade — que acabou se concretizando — da chegada do Centro POP. O comerciante Afonso Gomes tem um comércio na região e achava inadequada a decisão.

“Eu acho que tinha que procurar um lugar mais adequado. Aqui não é adequado para vir o Centro Pop. Nós fizemos um abaixo-assinado de quase 500 assinaturas e já mandei para a Câmara e para a Assembleia, porque se vier pra cá não vai dar pra trabalhar aí eu não sei o que fazer”, declarou ele ainda em abril.

Comerciante acha escolha inadequada para o novo endereço do Centro POP — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Comerciante acha escolha inadequada para o novo endereço do Centro POP — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

No dia 16 de maio, um protesto contra a mudança de endereço fechou o trânsito na entrada de uma ladeira na Rua Bola Preta, bem próximo da nova sede do centro.

Três dias depois, os manifestantes fecharam a Rua Rio de Janeiro, no bairro Mascarenhas de Moraes, vizinho ao Castelo Branco e à Baixada. Até essa data, a prefeitura ainda não confirmava a nova localização, e afirmava avaliar possíveis imóveis.

Mesmo sob protestos e críticas, a alteração foi mantida e o Centro POP já funciona em novo endereço. Conforme a secretaria, o centro atende cerca de 600 pessoas por dia.

Nova sede do Centro POP, em Rio Branco — Foto: Aline Pontes/Rede Amazônica Acre

Nova sede do Centro POP, em Rio Branco — Foto: Aline Pontes/Rede Amazônica Acre

g1

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