Acre tem 3ª menor renda mediana do país, aponta IBGE

Entre 2023 e 2024, o rendimento dos 10% mais pobres cresceu 13,2%, enquanto os 10% mais ricos tiveram aumento de 1,6%.

O levantamento denominado “Síntese de Indicadores Sociais 2025”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta um panorama nacional sobre o rendimento domiciliar per capita entre 2012 e 2024. O levantamento revela importantes disparidades regionais e destaca a posição do Acre nos indicadores de renda.

Em 2024, os menores rendimentos domiciliares per capita entre as unidades da federação foram registrados no Maranhão (R$ 1.079), Ceará (R$ 1.202) e Amazonas (R$ 1.237). Já os maiores rendimentos foram observados no Distrito Federal (R$ 3.281), São Paulo (R$ 2.582) e Santa Catarina (R$ 2.552).

O Acre aparece entre os estados com menor variação no rendimento domiciliar per capita médio no período de 2012 a 2024. Enquanto estados como Tocantins (49,4%), Alagoas (48,7%) e Piauí (45,2%) registraram os maiores crescimentos, o Acre teve variação de apenas 6,9%, uma das mais baixas do país. Roraima e Amazonas tiveram variação ainda menor, ambas de 0,6%.

O estudo também explica que a média salarial é influenciada pelos valores mais altos da população com maior renda, distorcendo o retrato real do rendimento da maior parte dos brasileiros. Por isso, a mediana — que representa o meio da distribuição — tende a refletir melhor as condições econômicas da população.

No Brasil, o rendimento domiciliar per capita mediano foi de R$ 1.328 em 2024, equivalente a 65,8% do rendimento médio nacional (R$ 2.017) e abaixo do salário mínimo vigente naquele ano (R$ 1.412). As regiões Norte (R$ 899) e Nordeste (R$ 845) tiveram os menores valores medianos, mas também registraram os maiores crescimentos entre 2012 e 2024: 38,2% e 38,5%, respectivamente.

Entre os estados, o Acre aparece novamente com destaque negativo: teve o segundo menor rendimento mediano do Norte e o segundo menor da região Norte–Nordeste. Em 2024, o rendimento mediano acreano foi de R$ 750, ficando à frente apenas do Maranhão (R$ 717) e de Alagoas (R$ 795). Nos maiores rendimentos medianos aparecem Santa Catarina (R$ 1.812), Distrito Federal (R$ 1.788) e Rio Grande do Sul (R$ 1.692).

A variação do rendimento mediano entre 2012 e 2024 também evidencia diferenças regionais. Tocantins (64,0%), Mato Grosso (49,1%) e Bahia (46,8%) apresentaram os maiores avanços. Já as menores variações foram registradas em Roraima (2,4%), São Paulo (16,4%) e Rio de Janeiro (17,8%).

O estudo ainda apresenta uma análise da renda por décimos da população. Entre 2023 e 2024, o rendimento dos 10% mais pobres cresceu 13,2%, enquanto os 10% mais ricos tiveram aumento de 1,6%. Mesmo assim, a desigualdade permanece elevada: em 2024, os 10% com maiores rendimentos ganharam 32,2 vezes mais do que os 10% com menor renda. Em 2012, essa diferença era de 44,6 vezes, o que indica uma redução, ainda que lenta, na desigualdade.

Por Ac24horas 

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