O protesto dos moradores do Estirão do Remanso, em Cruzeiro do Sul, ganha voz indígena com o depoimento de Adelino Kaxinawá da Silva, do povo Huni Kuin (Kaxinawá). Há 10 anos residente na comunidade, Adelino denuncia o sofrimento causado pelo fechamento do ramal de acesso, instalado pela empresa responsável pelas obras da base da Petrobras.
“Hoje o dia está ruim para toda a comunidade. Fecharam nosso ramal e estamos sofrendo. Eu sou indígena verdadeiro, natural da terra Huni Kuin. A floresta está em pé, mas precisamos de ajuda”, relatou Adelino, enfatizando que não possui barco ou canoa para transpor o bloqueio. “Como vou sair com o portão fechado? Meu filho precisa estudar na escola Padamião, como ele vai?”
O indígena cobra intervenção imediata de autoridades: “Preciso da ajuda do prefeito, dos vereadores, do governador e do governo. Estamos aqui pedindo força para abrir esse ramal”. Ele destaca que a via é essencial para o deslocamento diário, especialmente para crianças e famílias sem meios alternativos de transporte pelo rio.
Os moradores mantêm o bloqueio da estrada de acesso ao porto governamental como forma de pressão pela reabertura imediata do ramal e por melhorias definitivas. A manifestação, que completa uma semana desde o bloqueio surpresa, permanece pacífica e reflete o desespero de comunidades isoladas.






