Dezenas de famílias da comunidade Estirão do Remanso, na zona rural de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, estão isoladas após a instalação de um portão de ferro com cadeado no meio do ramal, bloqueando o principal acesso à área.
Os moradores foram surpreendidos pela interdição, sem qualquer aviso prévio. A situação afeta diretamente crianças, trabalhadores e idosos, que agora precisam percorrer caminhos alternativos, como barrancos, para se deslocar, estudar ou transportar mercadorias.
Em vídeo registrado no local, o líder comunitário Ártemis denuncia a medida e conversa com o morador José, de 77 anos, que vive na comunidade há cerca de 55 anos. José relata dificuldades para carregar compras, como sacas de farinha e milho, que antes eram entregues na porta de casa. Agora, ele precisa andar duas horas a pé com as cargas nas costas.
“Essa juíza que tomou essa decisão acatou essa situação dessa empresa, que essa empresa nunca fez nada pela comunidade (…) Em vez dela apoiar nós, que somos pobres, vive dentro da lama, agora nós temos essa estradinha milhozinha, ela tirou os nossos direitos para dar para uma empresa”, disse José no vídeo.
Ártemis reforça que o bloqueio compromete o acesso à escola e coloca em risco a segurança das crianças. “A comunidade foi pega de surpresa, sem comunicação nenhuma. Estão tirando o direito de ir e vir da população. As crianças estão subindo esse barranco para ir à escola, e isso não é digno”, afirmou o líder comunitário.
Policiais estiveram no local para garantir a ordem enquanto os moradores tentavam entender o motivo da interdição. A comunidade pede intervenção urgente do Ministério Público.
“O Ministério Público precisa reagir. A comunidade está pedindo com urgência que compare aqui”, disse Ártemis.






