Moradores das comunidades do Estirão do Remanso, Tapiri e São Luís, em Cruzeiro do Sul, no Acre, mantêm nesta terça-feira (16) o bloqueio da estrada de acesso ao porto governamental em protesto contra o fechamento do ramal que dá acesso às suas residências. O ramal foi interditado com portões pela empresa responsável pelas obras da base da Petrobras, deixando três comunidades isoladas.
José Eliton Conceição dos Reis, conhecido como Hélito, de 52 anos, morador nato da região, nasceu e foi criado na comunidade, assim como seus pais e avós. Ele denuncia a falta de respeito das autoridades e a ausência de respostas imediatas. “Aqui só tem pai de família que trabalha duramente para sustentar a família. Temos pessoas deficientes e idosas precisando se locomover para a cidade, e não há condições”, afirmou Hélito, destacando que o caminho existe há mais de 150 anos, anterior à chegada da Petrobras.
Os manifestantes relatam dificuldades graves: crianças não conseguem ir à escola às 6h da manhã, pois o ramal está fechado; muitos não possuem canoas para sair pelo rio; e o acesso alternativo é precário, com lama e atoleiros que causam lesões, como o problema no joelho sofrido por Hélito ao carregar cargas pesadas.
“Nós sobrevivemos dali, do trabalho no porto e na região. Se acabar isso, como vamos sustentar as famílias? Não estamos aqui para vandalismo, só reivindicando nosso direito de ir e vir, como diz a Constituição”, enfatizou o morador, cobrando posicionamento do prefeito, vereadores, promotoria, judiciário e até do governador. “Cadê os vereadores que pediram voto aqui? Merecemos respeito como cidadãos de bem.
Os moradores afirmam que só deixarão o local após a reabertura do ramal e soluções definitivas. A manifestação é pacífica, mas reflete a indignação de famílias isoladas há cerca de uma semana.






