Os registros de estupro de vulnerável no Acre apresentaram um crescimento expressivo nos últimos anos, revelando uma escalada preocupante da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp Infoseg) apontam que o número de vítimas aumentou 527,47% entre 2015 e 2025.
Em 2015, o Acre registrou 91 vítimas desse tipo de crime. Após oscilações nos anos seguintes, os números passaram a crescer de forma consistente a partir de 2018, quando foram contabilizados 307 casos. Em 2019, os registros subiram para 350, avançando para 403 em 2020 e chegando a 582 vítimas em 2021, até então o maior patamar da série histórica.
Em 2022, houve uma leve redução, com 539 registros, mas a tendência de alta voltou a se confirmar em 2023, com 552 vítimas, alcançando o pico em 2024, quando foram registradas 697 ocorrências. Já em 2025, mesmo com dados ainda em fase de consolidação, o estado soma 571 vítimas, mantendo um patamar elevado e confirmando o crescimento sustentado ao longo da última década.
Ao todo, o painel do Sinesp Infoseg contabiliza 4.269 vítimas de estupro de vulnerável no período analisado, o que representa, na prática, uma média de um registro por dia no Acre. A taxa registrada em 2025 é de 64,57 casos por 100 mil habitantes.
O recorte por sexo das vítimas evidencia que a violência atinge majoritariamente meninas. Do total de registros, 3.063 vítimas são do sexo feminino, enquanto 1.159 são do sexo masculino. Em 47 casos, o sexo não foi informado.
A distribuição geográfica dos registros também chama atenção. Rio Branco concentra o maior número de notificações, o que reflete tanto o tamanho da população quanto a maior estrutura de registro e investigação. No entanto, os dados indicam ocorrências em diversos municípios do estado, inclusive de pequeno porte, reforçando que o problema está disseminado em todo o território acreano.
Outro ponto destacado no levantamento é o elevado número de registros classificados como “Não se aplica / Não informado”, o que aponta fragilidades no preenchimento das informações e pode mascarar a real dimensão e distribuição territorial dos casos.
Os números reforçam a gravidade do cenário e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.






