Reposição de gado marca início de 2026 e reduz ritmo de abates no Acre

O ano de 2026 apresenta forte tendência de reposição de gado nos pastos acreanos, reflexo do ciclo natural da pecuária e do comportamento adotado pelos produtores rurais no ano anterior.

O ano de 2026 apresenta forte tendência de reposição de gado nos pastos acreanos, reflexo do ciclo natural da pecuária e do comportamento adotado pelos produtores rurais no ano anterior. Em 2025, dos 664.455 animais abatidos no Acre, 57,07% eram fêmeas, cenário que leva agora à retenção das matrizes e à inversão do ciclo pecuário.

Com a decisão dos produtores de segurar as fêmeas no pasto, o mercado já sente os efeitos no curto prazo, principalmente com a valorização do bezerro, fenômeno mais perceptível no Acre devido à grande saída de animais registrada no ano passado.

Apesar do cenário promissor para o produtor, a realidade tem sido desafiadora para os frigoríficos locais. Neste início de ano, as indústrias enfrentam baixa oferta de gado para abate. Na semana passada, uma das quatro plantas industriais com inspeção federal (SIF) no estado operou apenas dois dos cinco dias úteis. Já nesta segunda-feira (02), um dos maiores frigoríficos do Acre iniciou a semana sem realizar abates, justamente pela falta de animais disponíveis.

Especialistas apontam que fatores sazonais também contribuem para o cenário atual. O chamado inverno amazônico, marcado pelo aumento do volume de chuvas, costuma dificultar o manejo do gado nas propriedades rurais, levando muitos produtores a adiar o envio dos animais para o abate.

Outro ponto determinante foi a grande saída de gado com mais de 400 quilos do Acre para outros estados ao longo de 2025. Apenas entre os meses de agosto e dezembro, foram 173.368 animais com mais de 36 meses destinados ao abate fora do estado — um movimento considerado incomum para a pecuária local.

A expectativa de valorização da arroba também tem levado os pecuaristas a postergarem a venda dos animais, na tentativa de obter melhores preços.

Inverno amazônico, saída expressiva de animais prontos para o abate e especulação por preços mais atrativos formam o tripé que explica o atual cenário da indústria frigorífica acreana, que opera com cerca de 30% abaixo da capacidade diária, além de registrar a suspensão de dias de abate por falta de gado.

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