O Rio Juruá voltou a subir em Cruzeiro do Sul e já ultrapassou a cota de transbordo, que é de 13 metros. Na medição realizada na manhã desta terça-feira, o nível do manancial marcou 13 metros e 17 centímetros, provocando transtornos em pelo menos nove bairros da cidade.
De acordo com Josadac Cavalcante, fevereiro é historicamente um dos meses mais chuvosos do ano, ao lado de dezembro e janeiro. Segundo ele, esse trimestre concentra os maiores volumes de chuva dos últimos anos, e fevereiro já se aproxima da média climatológica.
A previsão indica acumulados entre 50 e 75 milímetros de chuva em toda a região do Vale do Juruá, abrangendo desde o Alto Juruá até Cruzeiro do Sul. Caso esse volume se confirme, a tendência é de que o Rio Juruá continue subindo ao longo da semana.
Apesar disso, informações vindas do Alto Juruá apontam que o rio já apresenta vazante na região do Rio Breu, na fronteira com o Peru. Municípios como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter também registram vazante. Assim, se não houver chuvas significativas nos próximos dias, Cruzeiro do Sul pode apresentar redução no nível do rio em um prazo de dois a três dias. No entanto, com a confirmação de novas chuvas, o cenário pode mudar e o nível voltar a subir.
Com a marca atual de 13,17 metros, o rio já saiu da calha e começou a invadir áreas urbanas. Embora a água ainda não tenha atingido o interior das residências, muitas famílias já convivem com quintais alagados, o que gera dificuldades e preocupação.
Histórico de inundações aponta que o período mais crítico costuma ocorrer entre o fim de fevereiro e o início de março. Dados dos últimos 30 anos mostram que mais de 50% das enchentes em Cruzeiro do Sul aconteceram nesse intervalo. Há registros também de cheias no mês de abril, embora sejam menos frequentes.
O plano de contingência segue pronto para ser colocado em prática a qualquer momento, caso necessário. As ações de preparação e prevenção foram realizadas ainda no período de estiagem. O Corpo de Bombeiros Militar do Acre e a Defesa Civil, tanto estadual quanto municipal, permanecem em prontidão, com equipes e equipamentos preparados para atuar.
Segundo Josadac Cavalcante, nos últimos anos as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 e 13,60 metros, já que nesse nível a água começa a invadir o interior de algumas residências, especialmente em áreas consideradas de maior risco.






