Velhos costumes da Semana Santa ainda vivem na memória dos cruzeirenses 

Nos 40 dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Quinta-Feira Santa, a Quaresma é, para muitos, tempo de reflexão, oração, jejum e caridade, com foco na preparação espiritual para

Nos 40 dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Quinta-Feira Santa, a Quaresma é, para muitos, tempo de reflexão, oração, jejum e caridade, com foco na preparação espiritual para a ressurreição de Jesus Cristo, celebrada no Domingo de Páscoa. Há algumas décadas, nesse período, principalmente em cidades do interior e em áreas rurais e ribeirinhas, os hábitos eram modificados: muita gente deixava de tomar banho e de varrer a casa.

Em Cruzeiro do Sul, o aposentado Francisco Cruz da Silva, de 68 anos, conta que, na casa dos pais, durante a Quaresma, era feito jejum às sextas-feiras. Os hábitos de higiene de todos da família eram alterados, assim como os cuidados com a casa. A Quinta-Feira e a Sexta-Feira Santa são chamadas por ele de “Dias Grandes”.

“Na Quaresma, a gente jejuava nas sextas-feiras. Na Semana Santa mesmo, nos Dias Grandes, minha mãe varria a casa até quinta-feira de manhã e depois não varria mais. Só no sábado. E ela não deixava a gente tomar banho nesses dois dias. A gente só comia peixe”, relata, ao comparar com os tempos atuais.

“Hoje o pessoal não quer mais saber da Quaresma, da Semana Santa. Até na Semana Santa mesmo, as pessoas trabalham normalmente nos dois Dias Grandes”, acrescenta.

A dona de casa Rosa Silva, de 55 anos, também aprendeu com a mãe a mudar os hábitos nesse período do ano. “Na Quinta e na Sexta-Feira Santa, só se comia peixe, porque minha mãe ensinou assim, e seguimos a tradição deles. Devemos ir à igreja, orar pelas pessoas e guardar esse dia, que é muito especial, para que a tradição dos antigos não se acabe. Na Sexta-Feira Santa, nem varria a casa, nem lavava o cabelo. Só tomava banho bem cedinho e, à tarde, já não fazia mais nada. Nem passar a vassoura em casa ninguém podia. Mas hoje em dia o pessoal já faz tudo”, relata.

Para o padre da Catedral Nossa Senhora da Glória, Francisco Melo, a Quaresma representa um tempo de conversão e intensificação das práticas religiosas. “É um tempo de intensificação das práticas quaresmais: o jejum, a oração e a caridade, para seguirmos um caminho mais reto, de conversão. A partir dessas práticas, buscamos nos aproximar de Jesus Cristo. É um momento forte na Igreja que antecede a Páscoa e que utilizamos como preparação para viver esse grande mistério da fé. A Quaresma, com seus 40 dias, é um tempo necessário para preparar o coração para o mistério salvador de Jesus Cristo: paixão, morte e ressurreição”, concluiu o padre.

Por Ac24horas 

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