Após denúncia de invasão em Terra Indígena, proprietário contesta acusações e nega irregularidades

Após a repercussão nacional de investigação sobre uma possível invasão à Terra Indígena Huni Kuin (Kaxinawá), no município de Jordão, um homem que se apresenta como proprietário de uma área citada na

Após a repercussão nacional de investigação sobre uma possível invasão à Terra Indígena Huni Kuin (Kaxinawá), no município de Jordão, um homem que se apresenta como proprietário de uma área citada na denúncia procurou a reportagem do ContilNet, nesta terça-feira (17), para contestar as informações. Ele não quis se identificar, mas apresentou sua versão dos fatos.

Tudo começou com uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) em  relação a uma suposta invasão de grileiros e madeireiros à Terra Indígena Huni Kuin (Kaxinawá) Seringal Independência, no município do Jordão, no interior do Acre. O proprietário seria acusado de derrubar árvores nativas, extrair madeiras nobres e construir estruturas para abrigar mais de 600 cabeças de gado em território situado na Amazônia Legal, segundo relatos de associações indígenas.

Ao ContilNet, o proprietário enfatizou que a área onde fica o terreno não está dentro da terra indígena e isso pode ser verificado em mapas. “Essa parte mais cinzenta é a área indígena. A bolinha verde que eu fiz é onde fica o nosso terreno. Dá para perceber que a gente não está dentro da área indígena”, afirmou.

Área cinzenta seria parte da terra indígena, segundo o dono do local; propriedade ficaria na parte em verde — Foto: Arquivo pessoal

O homem diz que há uma divisão natural entre as áreas, marcada por um curso d’água. “Tem um igarapé fazendo a divisão. Do outro lado do igarapé é indígena mesmo. Eu não seria doido de atravessar e fazer pastagem lá”, declarou. Ele identificou o local como Igarapé Santa Cruz e reforçou que a delimitação coincide com o que aparece nos mapas da região.

Sobre a origem da propriedade, ele afirma que o terreno foi adquirido de um antigo ocupante. “Quando nós chegamos lá, compramos de um senhor. Ele nos deu uma declaração da prefeitura e fizemos o contrato de compra e venda”, disse, acrescentando que a própria comunidade local reconhece o igarapé como limite.

O proprietário também contesta os números divulgados na denúncia. “Falam que a gente tem mais de 200 hectares de pastagem, mas não é isso. Se for muito, dá uns 50 hectares”, afirmou. Ele ainda questiona a informação sobre a quantidade de animais. “Como é que colocam que a gente tem mais de 600 cabeças de gado? Se for no órgão onde registra [IDAF], não vai ter isso”, completou.

Ele informa que há, sim, a construção de um curral, mas apenas na preparação. “Não temos nenhuma cabeça de gado ainda”, enfatizou.

Outro ponto citado na denúncia é a existência de estrutura no local, como internet e segurança. Ele confirma, mas apresenta outra justificativa. “A internet que eu coloquei lá é mais para as câmeras. Já teve caso de queimarem casa na comunidade. A gente não sabe a intenção das pessoas que passam por lá”, disse. Segundo ele, o imóvel não é ocupado de forma permanente e recebe visitas esporádicas ao longo do mês.

O homem também afirma que a repercussão da denúncia pode ter tido outros interesses. “A matéria foi mais para gerar repercussão e, talvez, trazer fiscalização para cá”, declarou.

O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público Federal, que apura denúncias de desmatamento, criação de gado e ocupação irregular dentro da Terra Indígena Huni Kuin.

contilnet

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