Benki Piyãko celebra conquista do Prêmio Niwano da Paz: “Reconhecimento pela luta e pela vida”

O anúncio do 43º Niwano Peace Prize para a liderança indígena acreana Benki Piyãko ecoou como um grito de resistência e esperança vindo do coração da floresta. Para o presidente do Instituto

O anúncio do 43º Niwano Peace Prize para a liderança indígena acreana Benki Piyãko ecoou como um grito de resistência e esperança vindo do coração da floresta. Para o presidente do Instituto Yorenka Tasorentsi, a premiação concedida pela fundação japonesa representa muito mais do que um mérito individual: é a validação de uma trajetória marcada por batalhas em defesa da paz e dos valores humanos.

Em declaração emocionante ao portal A GAZETA, Benki destacou que o prêmio simboliza o reconhecimento de um trabalho árduo e da coragem necessária para enfrentar os desafios impostos aos povos originários.

“Para mim, esse prêmio significa um reconhecimento pela luta, pelo trabalho, pela força e coragem daquilo que a gente tem trabalhado durante tanto tempo. De ter vencido tantas conquistas e batalhas pela paz, pela vida e pela superação de histórias de valores humanos”.

Benki Piyãko enfatizou que o reconhecimento internacional serve para conscientizar a humanidade sobre a importância da proteção da biodiversidade, dos rios e da cultura milenar que os povos da floresta preservam. Segundo ele, o prêmio estabelece uma ponte vital entre o saber ancestral da Amazônia e as organizações globais.

“É um reconhecimento histórico estarmos aqui, do meio da floresta, compartilhando com o mundo e, ao mesmo tempo, recebendo esse retorno das organizações”, afirmou a liderança.

Resistência em tempos de violência

O anúncio da premiação ocorre em um contexto delicado, marcado por episódios de violência contra comunidades indígenas no Brasil, o que levou Benki Piyãko a relembrar a dor de perder quatro lideranças Ashaninka de uma só vez. Reafirmando seu compromisso em manter-se “em pé e vivo”, ele reforça que sua voz é um instrumento de resistência pacífica, acreditando que a conquista do mundo não virá pela guerra, mas pelas palavras, pelos sentimentos e pela busca do equilíbrio humanitário. Para o líder indígena, o foco de sua atuação permanece no cuidado com as águas, a terra e a segurança alimentar, garantindo a soberania dos povos e a proteção do meio ambiente de forma sustentável.

“Infelizmente, ainda vemos muita gente presa e muita gente morta; perto de mim mesmo, perdi quatro lideranças Ashaninka de uma só vez. Mesmo assim, me mantenho em pé e consciente, abraçando a causa através da paz. Acredito que não conquistaremos o mundo com a guerra, mas com nossas palavras, nossos sentimentos e com a visão de segurar o equilíbrio humanitário em um momento onde a violência espoca por todos os cantos”, destacou.

Ao projetar o futuro e o legado de suas ações no Instituto Yorenka Tasorentsi, Benki Piyãko enfatizou que a verdadeira transformação nasce da conexão cotidiana com a terra e com o próximo. Para a liderança Ashaninka, o reconhecimento internacional é um reflexo direto desse modo de vida: “E a gente está aqui mantendo a nossa coragem, orientando, plantando, cuidando, abraçando, cantando e se amando. Esse é o mundo, esse é o futuro: cuidar das águas, da floresta, da terra e proteger o nosso ambiente de uma maneira sustentável, assegurando a nossa soberania alimentar para, com isso, sermos reconhecidos pelo mundo”.

Sobre o prêmio

A entrega oficial do prêmio está agendada para o próximo dia 12 de maio, em Tóquio, no Japão. Além do troféu e do certificado, Benki receberá vinte milhões de ienes (aproximadamente R$ 600 mil), recursos que devem fortalecer as ações de reflorestamento e proteção ambiental lideradas pelo Instituto Yorenka Tasorentsi no Acre.

O Prêmio Niwano da Paz consolida Benki Piyãko como uma das vozes mais influentes da diplomacia ambiental brasileira, enviando uma mensagem clara: o futuro do planeta depende do equilíbrio e da proteção das florestas tropicais.

Por A Gazeta do Acre 

Veja também

A operação contou com a participação do Ipem, Inmetro, Agência Nacional do Petróleo, Polícia Rodoviária Federal e demais órgãos parceiros.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) alerta para a interdição total da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282,65 da BR-364/AC, em Sena Madureira, a partir desta

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Obras, realiza nesta quarta-feira, 3, os serviços de infraestrutura, limpeza urbana e recuperação de vias em diferentes regiões

Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, o Acre registrou 2.521 nascimentos sem a identificação do pai na certidão de nascimento. Os dados, divulgados pela Defensoria Pública do Estado

Um telão será instalado no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho, pela prefeitura de Cruzeiro do Sul, para que os torcedores possam acompanhar todas as partidas do Brasil na Copa

A Ordem dos Advogados do Brasil no Acre divulgou a lista de candidatos aprovados na primeira fase do 46º Exame de Ordem Unificado. Os nomes dos aprovados foram publicados após

O Acre apresentou crescimento de 36,8% no número de beneficiários de planos de saúde nos últimos 12 meses, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O avanço foi

O motorista envolvido no atropelamento que vitimou um idoso de 68 anos em Cruzeiro do Sul se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e deverá responder por homicídio culposo no trânsito.

Não existem mais publicações para exibir.