Cheia do Rio Moa já afeta mais de 480 famílias e Prefeitura avalia decretar situação de emergência nos próximos dias

O aumento do volume de chuvas na região do Juruá tem provocado sérios impactos em Mâncio Lima, atingindo diretamente comunidades ribeirinhas e produtores da zona rural. O Rio Moa já

O aumento do volume de chuvas na região do Juruá tem provocado sérios impactos em Mâncio Lima, atingindo diretamente comunidades ribeirinhas e produtores da zona rural. O Rio Moa já ultrapassou a cota de transbordo e, atualmente, registra nível de 6,23 metros, acima da cota de 6,20 metros, tendo transbordado três vezes somente no mês de março.

De acordo com levantamento da equipe técnica da Prefeitura, realizado entre os dias 21 e 26 de março com apoio da Defesa Civil e Assistentes Social por meio do CRAS, pelo menos 483 famílias foram afetadas diretamente, com suas residências alcançadas pelas águas, enquanto outras 917 famílias foram atingidas de forma indireta, sofrendo com a paralisação de atividades e dificuldades de acesso.

Na zona ribeirinha, comunidades ao longo do Rio Moa e do Rio Azul enfrentam alagamentos e prejuízos, as famílias usam a agua do rio para diversas finalidades, como lavar roupa, preparar alimentos e até para o consumo cenário este que se agrava com a contaminação das aguas. Entre as localidades atingidas estão Boa Vista, São Francisco, São Pedro, São Salvador, Timbaúba e Novo Recreio (Terra Indígena Nawa), além de Bela Vista, Buriti, Barro Vermelho, Três Unidos, Nova Lição e Bom Sossego, no Rio Azul. Muitas famílias dependem diretamente do rio para transporte, alimentação e subsistência, o que agrava ainda mais a situação.

“Só nesse período, o Rio Moa já transbordou pelo menos três vezes. A situação das famílias é bastante delicada, porque elas utilizam o rio para praticamente tudo. E com a previsão de mais chuvas, inclusive com grande volume vindo das cabeceiras no Peru, existe o risco de uma cheia ainda maior”, destacou o coordenador da Defesa Civil, Enilson Puyanawa.

Já na zona rural terrestre, o cenário também é preocupante. Cerca de 600 famílias foram atingidas diretamente, com ramais interditados devido ao transbordo de igarapés como Igarapé Branco, Igarapé Preto, Igarapé do Banho, Igarapé Maloca, Behkua e Generoso. As fortes chuvas fazem com que nascentes aflorem, causando erosões e deixando as estradas intrafegáveis.

Além do isolamento de comunidades como Caetanos, Polo e Bahia, os prejuízos atingem diretamente a produção rural, com perdas na agricultura familiar, açudes transbordados e rompimento de barragens, afetando uma das principais fontes de renda da região.
“Os impactos não são só nos rios. Na zona rural, igarapés transbordaram em vários pontos, deixando comunidades isoladas e causando prejuízos na agricultura. Temos casos de açudes rompidos e perdas na produção, o que exige uma resposta rápida do poder público”, completou Enilson.

Diante desse cenário, a Prefeitura de Mâncio Lima já articula uma resposta emergencial. Nos próximos dias, será realizada uma reunião com o grupo de ações coordenadas para definir novas medidas de assistência às famílias atingidas, além de discutir a possível decretação de situação de emergência no município.

Entre as ações previstas estão a organização de logística para atendimento às famílias, elaboração de relatórios sociais e ampliação do suporte humanitário, garantindo assistência às comunidades mais afetadas tanto na zona ribeirinha quanto na zona rural.

Apesar das dificuldades, muitas famílias optaram por permanecer em suas residências, mesmo em condições precárias, enquanto outras foram acolhidas por parentes em áreas mais seguras, reforçando a necessidade de uma atuação rápida e efetiva do poder público diante da intensidade das chuvas e dos impactos crescentes na região.

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