Encontro reúne cerca de 160 lideranças indígenas para discutir proteção de territórios na fronteira entre Brasil e Peru

Durante mais uma edição da conferência transfronteiriça realizada em Cruzeiro do Sul, o coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko, destacou a importância do diálogo entre povos indígenas do Brasil e do

Durante mais uma edição da conferência transfronteiriça realizada em Cruzeiro do Sul, o coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko, destacou a importância do diálogo entre povos indígenas do Brasil e do Peru na defesa dos territórios e dos recursos naturais.

O evento reúne cerca de 160 participantes, representando aproximadamente 40 terras indígenas dos dois países, com o objetivo de debater pautas comuns e fortalecer estratégias de atuação nas comunidades.

“Estamos aqui discutindo temas que são fundamentais para os nossos territórios, levando informação e também dando visibilidade às problemáticas enfrentadas na região”, explicou.

Entre os principais assuntos abordados estão a preservação dos recursos hídricos, a proteção das florestas e os impactos de possíveis empreendimentos. Segundo Piyãko, as nascentes de muitos rios que abastecem o lado brasileiro estão localizadas no Peru, o que torna essencial a articulação entre os povos dos dois países.

“Esses territórios indígenas, principalmente do lado peruano, são responsáveis por proteger as nascentes. Garantir a qualidade dessa água é garantir qualidade de vida para todos nós”, destacou.

O coordenador também ressaltou que a região de fronteira é uma das mais preservadas da Amazônia, abrigando uma rica diversidade de povos e biodiversidade, o que reforça a necessidade de reconhecimento e valorização dessa área.

Outro ponto importante debatido é a necessidade de que as comunidades sejam consultadas e informadas sobre qualquer empreendimento que possa impactar seus territórios. “Precisamos estar conscientes do que acontece para poder dialogar e tomar decisões que protejam nossas áreas”, afirmou.

Ao final do encontro, será elaborado um documento com recomendações e posicionamentos das lideranças indígenas, reunindo as principais demandas e propostas discutidas durante a conferência.

“Queremos que a sociedade tenha orgulho dessa região e entenda seu valor. Não é um lugar para exploração desenfreada, mas sim um território onde os povos e a diversidade precisam ser respeitados e colocados em primeiro lugar”, concluiu.

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