Durante o décimo encontro da Comissão Transfronteiriça, realizado em Cruzeiro do Sul, o líder indígena Arlindo Ruiz Santos, do povo Asháninka, destacou a importância da união entre comunidades, organizações e governos na defesa da natureza e dos territórios tradicionais.
Representando a comunidade nativa Dulce Gloria, no Alto Juruá, Arlindo enfatizou que a comissão atua na proteção da vida, não apenas dos povos indígenas, mas de toda a humanidade. “Nós cuidamos da natureza, do que muitos chamam de pulmão do mundo. Defendemos o nosso território, os direitos dos povos indígenas e também as nascentes dos rios, que muitas vezes estão do lado do Peru e abastecem o Brasil”, afirmou.
O líder demonstrou preocupação com a falta de diálogo por parte do Estado peruano em relação a projetos que impactam diretamente as comunidades, como a abertura de estradas ilegais. Segundo ele, a ausência de consulta prévia fere direitos garantidos aos povos indígenas. “Nós temos o direito de saber quais impactos essas ações vão trazer. É preciso respeito e diálogo antes de qualquer decisão”, ressaltou.
Arlindo também destacou que os povos indígenas desempenham um papel fundamental na preservação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas. “Nós não destruímos a floresta, nós cuidamos dela. O aquecimento global não é culpa dos indígenas. Pelo contrário, somos nós que protegemos a natureza para o futuro de todos”, disse.
Ele reforçou que o trabalho da Comissão Transfronteiriça busca construir soluções coletivas, promovendo o diálogo entre Brasil e Peru para proteger áreas sensíveis, como as cabeceiras dos rios e regiões de floresta sob pressão de atividades ilegais.
Ao final, o líder fez um apelo à união entre governos, organizações e povos tradicionais. “A vida depende da água, do ar, da natureza. Sem isso, não somos nada. É hora de unir forças para defender nossa mãe natureza e garantir um futuro para todos”, concluiu.






