Liderança indígena é reconhecida internacionalmente por trabalho de reflorestamento e sustentabilidade no Acre

Reconhecido mundialmente por sua atuação em defesa do meio ambiente, o líder indígena Benki Piyãko celebrou mais uma conquista internacional ao receber um prêmio no Japão, destacando décadas de trabalho

Reconhecido mundialmente por sua atuação em defesa do meio ambiente, o líder indígena Benki Piyãko celebrou mais uma conquista internacional ao receber um prêmio no Japão, destacando décadas de trabalho voltado ao reflorestamento e à preservação da biodiversidade na região do Alto Juruá.

Segundo ele, este já é o quinto prêmio de Direitos Humanos recebido ao longo de sua trajetória, com reconhecimentos anteriores no Brasil, nos Estados Unidos, pelas Nações Unidas, no Butão e, agora, no Japão.

“Esse prêmio tem um significado muito especial, porque vem de um país que tem uma história milenar de reconstrução e de relação com o meio ambiente. É um reconhecimento de mais de 30 anos de trabalho que venho desenvolvendo com foco no equilíbrio da biodiversidade”, afirmou.

Benki destacou que sua atuação sempre esteve voltada à construção de um modelo sustentável que vá além da exploração dos recursos naturais. “Nosso objetivo não é apenas retirar da floresta ou dos rios, mas criar alternativas sustentáveis dentro dos nossos próprios territórios, garantindo qualidade de vida para as comunidades”, explicou.

O trabalho de reflorestamento, iniciado ainda em 1989, já apresenta resultados expressivos. De acordo com o líder, mais de 4 milhões de árvores foram plantadas na região entre a aldeia e o município de Marechal Thaumaturgo, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas.

Além disso, a iniciativa também inclui a criação de açudes como forma de garantir segurança alimentar às comunidades. Atualmente, já foram implantados mais de 500 açudes, tanto em aldeias quanto em áreas de assentamento e reservas extrativistas.

“Esse trabalho gera impacto social, ajudando a combater a fome e promovendo autonomia para as comunidades, sem depender exclusivamente da retirada de recursos da floresta”, ressaltou.

Para Benki, o reconhecimento internacional reforça a importância dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas na preservação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas. “Queremos avançar cada vez mais, levando qualidade de vida e mostrando que é possível cuidar da natureza e das pessoas ao mesmo tempo”, concluiu.

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