No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, histórias de superação e resiliência feminina ganham ainda mais destaque. Em Cruzeiro do Sul (AC), no bairro Aeroporto Velho, uma delas se destaca pela força física e emocional: Maria Roseli Souza Coelho, de 45 anos, mãe de seis filhos, que passa seus dias quebrando concret para levar o sustento para casa.
Com mãos calejadas e habilidosas, pano na cabeça e sentada no chão, Maria Roseli muitas vezes passa despercebida por quem circula pelas ruas do bairro. Sua rotina começa cedo: por volta das 7h da manhã, após deixar um dos filhos na escola, ela chega ao local de trabalho. Às 11h, interrompe a atividade para buscar o filho na escola e, à tarde, retorna para continuar o serviço pesado. Ela só encerra o dia por volta das 17h ou 18h, dependendo da necessidade de buscar as crianças novamente.
Juntamente com o marido, o casal consegue quebrar até 12 sacas de concreto por dia, um trabalho exaustivo que exige muita resistência física e coragem. Maria Roseli explica, em suas próprias palavras, a realidade dura dessa escolha:
“Isso aqui é só pra quem tem coragem mesmo, porque isso aqui não é fácil não. A gente peneira, vai colocar no saco todo dia, né? Aí tem que pagar carro tudo pra trazer. Aí não tem como. A vida é da gente é assim mesmo.”
Questionada sobre se sente uma mulher guerreira, trabalhadora e corajosa, ela responde sem hesitar:
“Sim, porque se a gente não trabalhar, não tem como, né? […] Tem que lutar bastante, porque se não for, não tem como.”
A família é composta por oito pessoas, e o sustento vem exclusivamente desse trabalho informal. Dos seis filhos, dois já são casados, e os demais ainda são solteiros, mas a luta para criá-los sempre foi intensa.
“Para a gente criar os filhos da gente, a gente tem que lutar, né? Tem que lutar bastante […] É muito sofrimento, mas é assim mesmo, a vida da gente tem que ser assim.”
Maria Roseli chega a trabalhar das 7h até meio-dia ou mais, retorna para casa a noite em alguns dias, e volta ao ciclo no dia seguinte. Ela enfatiza a necessidade de muita força e resistência: “Tem que ter coragem, né? Se não tiver coragem, não vai.”
Essa é a realidade de muitas mulheres brasileiras que, em profissões tradicionalmente masculinas e fisicamente desgastantes, assumem o papel de provedoras ao lado dos companheiros. No bairro Aeroporto Velho, Maria Roseli simboliza a luta diária pela sobrevivência, transformando o esforço árduo em alimento, educação e futuro para os filhos.
Neste 8 de março, o portal homenageia Maria Roseli e todas as mães guerreiras que, com mãos calejadas e coração forte, quebram não só concreto, mas também barreiras invisíveis da desigualdade e da adversidade. Vocês são a verdadeira força que move famílias e comunidades.
Jurua24horas






