Pescadores de Cruzeiro do Sul enfrentam dificuldades financeiras devido ao atraso no pagamento do seguro-defeso, benefício destinado a garantir renda aos trabalhadores durante o período em que a pesca é proibida para preservação das espécies.
De acordo com Itamar Silva, advogado da colônia de pescadores, a situação tem causado grande preocupação, já que o benefício possui caráter alimentar e é essencial para a sobrevivência das famílias que dependem da atividade.
Segundo ele, o período de defeso iniciou em novembro e já está próximo de ser encerrado, porém, até o momento, nenhum pescador do município recebeu o pagamento.
“Estamos enfrentando um problema gigante, que acaba causando uma crise econômica na cidade e também uma crise humanitária, porque o defeso é um benefício com caráter alimentar. Quando o pescador não recebe, ele é profundamente afetado”, destacou.
Ainda conforme o advogado, em todo o estado do Acre foram registrados mais de 11 mil requerimentos do benefício, mas apenas cerca de 300 pescadores teriam recebido o pagamento até agora.
A colônia de pescadores informou que tem buscado providências para resolver a situação. Entre as medidas adotadas estão o envio de ofícios a órgãos competentes e a solicitação de apoio do Ministério Público Federal para acompanhar o caso e cobrar uma solução.
“Estamos acionando os órgãos responsáveis e também políticos que possam cobrar em Brasília de quem tem competência para liberar esses pagamentos”, explicou Itamar.
Ele também afirmou que a entidade pretende convocar uma audiência pública para esclarecer a situação aos pescadores e à sociedade, já que muitos trabalhadores estão preocupados com o atraso.
Outro ponto destacado é que a responsabilidade pelo pagamento do benefício passou recentemente do Instituto Nacional do Seguro Social para o Ministério do Trabalho e Emprego, o que, segundo a colônia, pode ter contribuído para as dificuldades no processamento dos pagamentos.
Enquanto aguardam uma solução, muitos pescadores enfrentam dificuldades para sustentar suas famílias. Alguns, segundo relatos, chegaram a ir ao rio em busca de alimento, mesmo durante o período de proibição, e tiveram equipamentos apreendidos durante fiscalizações ambientais.
A expectativa da categoria agora é que os órgãos responsáveis regularizem a situação o mais rápido possível para garantir o pagamento do benefício aos trabalhadores da pesca no estado.






