Povo Nawa Celebra Marco Histórico: Assinatura do Relatório de Demarcação Após 26 Anos de Luta no Juruá

O povo Nawa, historicamente ligado à região de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, vive um momento de grande significado após décadas de resistência e reconstrução. Considerado extinto por

O povo Nawa, historicamente ligado à região de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, vive um momento de grande significado após décadas de resistência e reconstrução. Considerado extinto por muito tempo em registros oficiais, o grupo indígena acaba de dar um passo decisivo rumo à regularização de seu território ancestral.

Em entrevista exclusiva à equipe do Jurua24horas, o cacique Wilson Carneiro de Oliveira Nawa celebrou a assinatura do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) pela presidente da Funai. O documento representa o primeiro passo oficial no processo de demarcação da Terra Indígena Nawa, resultado de 26 anos de luta pela retomada do território.

“É um sonho realizado, uma conquista para o nosso povo. Além do reconhecimento, agora iniciamos o processo que não foi concluído antes. Assinado o heresídio [RCID], aguardamos o segundo passo para a continuidade até a demarcação efetiva do território”, declarou o cacique.

A história do povo Nawa é marcada por resiliência. Durante o ciclo da borracha, o grupo foi pressionado e obrigado a abandonar Cruzeiro do Sul, seu território original. Refugiou-se inicialmente em Rodrigues Alves e, posteriormente, subiu para as cabeceiras dos rios Azul e Moa. Foi lá, no Igarapé Novo Recreio, município de Mâncio Lima, que o povo renasceu graças ao esforço de duas mulheres fundamentais: Maria Uni (ou Mariana) e Maria Borge, consideradas as reconstrutoras da atual família Nawa.

Hoje, a comunidade conta com 99 famílias e aproximadamente 525 pessoas, concentradas na região do Rio Moa, nas proximidades da Serra do Divisor e do Parque Nacional da Serra do Divisor.

Para o cacique Wilson, a maior dificuldade enfrentada até aqui era a ausência de titularidade oficial sobre a terra. “A gente tinha que ter um território próprio para cuidar, proteger, para que nossas futuras gerações tivessem uma terra. Cuidar do que é nosso é muito bom, e saber que estamos protegendo algo que vai sobreviver por gerações e gerações é fundamental”, enfatizou.

A assinatura do relatório é vista como uma vitória não apenas para o reconhecimento da identidade étnica do povo Nawa, apagada por cerca de um século, mas também para a preservação ambiental e cultural na fronteira amazônica do Acre.

Jurua24horas

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