Com a chegada da Semana Santa, muitas famílias de Cruzeiro do Sul mantêm vivas tradições que atravessam gerações, marcando este período com respeito, silêncio e reflexão. Segundo o pároco Francisco Melo, esses costumes populares têm grande valor cultural e religioso, mesmo que nem todos estejam diretamente previstos nas orientações oficiais da Igreja.
De acordo com o padre, a Quinta-Feira Santa é, na essência, um dia de celebração para os católicos, pois relembra a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. No entanto, é comum que, por tradição, muitas famílias já iniciem um período de recolhimento, evitando festas, reduzindo conversas e adotando comportamentos mais introspectivos como forma de respeito à Paixão de Cristo.
“Tudo isso demonstra a reverência do povo por esses dias tão importantes. São tradições válidas, que fazem parte da nossa cultura”, destacou.
A partir da celebração da Quinta-Feira Santa, com o rito do Lava-Pés, inicia-se o Tríduo Pascal — considerado o ponto alto da fé cristã. Na sequência, a Sexta-Feira Santa é marcada pela meditação da paixão e morte de Jesus, com celebrações específicas, como a Via Sacra e o ato litúrgico das 15h, que relembra a crucificação.
O Sábado Santo, por sua vez, é reservado ao silêncio e à reflexão. À noite, ocorre a Vigília Pascal, celebração que simboliza a esperança e a ressurreição, encerrando o período de luto e preparando os fiéis para a Páscoa.
O padre também comentou sobre práticas tradicionais como evitar o consumo de carne vermelha durante a Semana Santa. Segundo ele, a Igreja orienta o jejum e a abstinência especialmente na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. No entanto, muitas famílias ampliam esse costume por devoção.
Apesar disso, ele faz um alerta para que a vivência da fé vá além dos costumes externos. “Mais importante do que aquilo que se come é o que está no coração. A vivência da Semana Santa precisa ser de fato um momento de conversão, de reflexão e de mudança de vida”, ressaltou.






